Você acreditaria no Golpe do bilhete premiado? Difícil dizer que sim. Mas existem quadrilhas especializadas neste tipo de crime e isso prova que também há vítimas que ainda sofrem com os estelionatários. A ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, um dos Batalhões de Choque da elite da Polícia Militar de São Paulo) tem como um dos seus objetivos combater esse tipo de ação. E combate!

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Quadrilha vinha do Paraná para aplicar golpes em São Paulo. Grupo foi preso pelos PMs do Batalhão de Choque - ROTA
Divulgação/Polícia Militar
Quadrilha vinha do Paraná para aplicar golpes em São Paulo. Grupo foi preso pelos PMs do Batalhão de Choque - ROTA

Foram duas operações rotineiras da ROTA e duas quadrilhas presas. Na última semana, os PMs prenderam quatro homens que tinham aplicado o golpe do bilhete premiado em uma senhora de 84 anos, já nesta quarta-feira (22) outros três suspeitos foram detidos pelos homens do Batalhão de Choque da PM com aproximadamente R$ 25.500 (18.732 mil reais, 2,535 dólares e 10 euros) de vítimas desse tipo de crime.

1ª ocorrência: homens bem vestidos, "bilhete premiado", dinheiro na mala e prisão

A equipe do Tenente Cavalheiro fazia uma de suas patrulhas diárias pela Avenida Rio Branco quando suspeitou de um carro de alto padrão com dois homens de idade avançada e bem vestidos a bordo. Os olhos bem treinados dos policiais estão capacitados para encontrar coisa errada até na situação mais normal do seu dia-a-dia.

"Quando abordamos os suspeitos, eles começaram a falar que eram apenas turistas e que estavam aqui em São Paulo para fazer compras pela região. Mas quando falamos que iriamos revistar o carro, eles logo assumiram que estavam aqui para aplicar o "Golpe do bilhete premiado" e que tinham muito dinheiro no carro", revelou o Tenente Cavalheiro.

Os dois suspeitos afirmaram que um terceiro homem que também fazia parte da quadrilha estava hospedado em um hotel na região esperando pela dupla. Os policiais militares foram até o local para realizar a prisão e lá encontraram mais dinheiro pertencente a outras vítimas do golpe.

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Durante o depoimento, a quadrilha esclareceu que abordava as vítimas dizendo que tinha um bilhete premiado no valor de R$ 200 mil e que em troca de ajuda para realizar o saque eles iriam dar 10% do valor total do prêmio. Os policiais conseguiram localizar duas pessoas que caíram na ação dos criminosos.

"Uma das vítimas foi abordada quando saía do hospital onde trabalha e acabou dando R$ 22 mil para o grupo. Ela foi em vários bancos com o grupo e foi sacando dinheiro, tudo acreditando na lábia dos estelionatários. Já a segunda pessoa que conseguimos contatar deu joias e também 4 mil dólares para os criminosos", afirmou o tenente da ROTA.

Os suspeitos revelaram que vinham do Paraná para São Paulo com o objetivo de aplicar o golpe. Eles foram encaminhados para o 3º Distrito Policial e vão responder pelos crimes de estelionato e associação criminosa.


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2ª ocorrência: quatro criminosos contra uma senhora de 84 anos

Um homem bem vestido aborda a vítima nas proximidades do Shopping Iguatemi, localizado em uma área nobre da capital paulista. O suspeito diz ter um bilhete premiado da Mega-Sena no valor de R$ 20 milhões, mas que estava confuso e precisava do auxílio dela para poder sacar o seu prêmio. Em troca da ajuda, a senhora de 84 anos iria receber R$ 200 mil, o equivalente a 10% do total do "prêmio".

Neste momento, para facilitar o golpe, um segundo integrante da quadrilha se aproxima deles com o objetivo de dar um ar de que a coisa toda era real. Além de se apresentar como advogado, o homem informa que também já havia trabalhado na Caixa Econômica Federal e que por esse motivo podia confirmar que o bilhete era efetivamente real.

Convencida de que tudo era verdade, a senhora vai com o primeiro homem retirar o prêmio. No entanto, no meio do caminho ele tem uma "crise de consciência" e desiste do prêmio, dizendo que não poderia cometer este pecado, já que sua religião não permitia jogos. Ele então ofereceu trocar o bilhete de R$ 20 milhões por uma quantia que a vítima conseguisse levantar, já que a sua "fé" não seria ofendida ao receber presentes. Ela foi a uma casa de câmbio, comprou 11 mil dólares e entregou ao criminoso, que fugiu em seguida, deixando com ela o bilhete "premiado".

A quadrilha, porém, não foi feliz na fuga. Os quatro suspeitos foram abordados logo em seguida pela equipe da ROTA comandada pelo Tenente Akira. Os estelionatários afirmaram que estavam hospedados em um hotel no centro da cidade. No local, os policiais militares encontraram um segundo carro, que também foi apreendido, e uma pistola calibre .380.

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Enquanto eram encaminhados ao 15º Distrito Policial, um dos celulares dos criminosos recebeu uma ligação da senhora que havia sido vítima do golpe. Desesperada, ela dizia que o bilhete era falso. Foi nesse momento que os Policiais da ROTA a informaram que tudo se tratava de um golpe e pediram que ela fosse para o DP.

O delegado de plantão afirmou que os suspeitos eram todos de Curitiba, no Paraná, e que já respondiam a inquéritos pelo mesmo tipo de crime. A quadrilha realizava viagens semanais para diferentes cidades do País com o objetivo de aplicar o mesmo golpe. De acordo com o delegado, na semana passada eles estavam no Rio de Janeiro.

Os quatro indivíduos presos vão responder na Justiça pelos crimes de estelionato, associação criminosa e porte ilegal de arma de fogo.

"Pegamos o celular de um dos suspeitos e no WhatsApp o grupo se auto intitulava 'tropa de elite'. Mal sabiam eles que iriam encontrar com a verdadeira Tropa de Elite aqui em São Paulo: a ROTA", finalizou o Tenente Akira, do Primeiro Batalhão de Choque.

Leia toda a matéria na íntegra: ROTA: Tropa de Elite da PM encontra a "tropa de elite" do crime. Veja resultado


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