A partir de hoje, o Espírito Santo deve contar com o patrulhamento de 1.850 homens das Forças Armadas e da Força Nacional
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A partir de hoje, o Espírito Santo deve contar com o patrulhamento de 1.850 homens das Forças Armadas e da Força Nacional

As voltas às aulas foram adiadas. As unidades de saúde, os bancos, as repartições públicas e boa parte do comércio estão fechados e andar na rua é sinônimo de coragem. Os supermercados, porém, estão lotados, com longas filas, cheios de capixabas que temem dias piores e já estão estocando comida em casa. Essa é a realidade no Espírito Santo.

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Nesta quinta-feira (9), os moradores do Espírito Santo  já estão no sexto dia seguido vivendo a mesma rotina: aquela que não é a deles. Muitos não conseguem sair para trabalhar e outros nem teriam como se locomover pelas cidades, afinal, os ônibus, que tinham voltado a circular pela manhã, retornaram nesta quinta para as garagens, devido à morte de um sindicalista rodoviário.

Há uma semana – que lhes parece muito distante agora –, os capixabas viviam dias normais, sem saber o que fevereiro lhes traria.

Na última sexta-feira (3), familiares de policiais militares começaram um protesto que culminou na paralisação da categoria a partir do sábado (4). Desde então, não há policiamento algum em todo o estado, o que deu início a uma onda de violência sem precendentes.

"Prisão domiciliar"

O bancário Jonatan Freire Cardoso Oliveira, de 31 anos, é morador do município da Serra e trabalha na capital capixaba. Casado e com um filho de 3 anos, Oliveira disse que está se sentindo em “prisão domiciliar” desde que a paralisação começou. Neste período, só foi trabalhar na terça-feira (7), porque os militares do Exército começaram a patrulhar as ruas, mas, segundo ele, a sensação de insegurança permanece muito grande.

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“Eu e minha esposa estamos em casa, com muito receio de sair por causa dos relatos de assaltos e tiroteios. Quando saímos, é com todo cuidado”, disse. “Não temos o direito de ir e vir e saí da rotina totalmente.”

Oliveira disse ainda que precisou ir ao supermercado e ficou perplexo com o número de pessoas que compravam grande quantidade de mantimentos para estocar. “Estava muito cheio, uma coisa fora do normal”.

O bancário disse acreditar que a reivindicação dos policiais militares é justa, mas, para ele, o movimento de paralisação poderia ter sido progressivo.

Na sua opinião, a categoria tem enfrentado muitos anos de desvalorização salarial e más condições de trabalho. “A maior parte da culpa é do governo, por não ter dado pelo menos o reajuste da inflação. O salário está muito defasado. O governo deveria tentar negociar, precisa ter uma contraproposta”, acrescentou Oliveira.

"Nunca passei por isso antes"

A dona de casa Selma Chagas Garcia, de 54 anos, moradora de Guarapari, no sul do estado, disse que apenas nesta quarta (8) à noite chegaram os primeiros militares do Exército à cidade. “A situação está horrível. Tudo fechado. Não tem ônibus. Está tudo parado”. Sua filha de 11 anos está sem ir à escola desde segunda (6).

Segundo ela, foram registrados muitos assaltos na cidade. “Moro aqui há 17 anos. Nunca passei por isso antes. Roubaram muitas lojas aqui”.

Selma acredita que já havendo um “abuso” nessa paralisação. “Ouvi falar que estão pedindo 100% de aumento de salário. Não vão conseguir isso nunca. Está difícil terminar [a greve]”, completou.

Insustentável

A publicitária Amanda Fonseca Rodrigues, de 30 anos, diz que a situação no estado a fez refletir sobre a importância do direito de ir e vir, que está completamente prejudicado para a população capixaba. Moradora de Cariacica, ela está sem ir ao trabalho, em Vitória, desde o início da semana.

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Amanda relatou que recebe muitas notícias e vídeos pelas redes sociais, o que acaba aumentando a sensação de insegurança. Apesar de ter parentes que são militares e entender o pleito da categoria, para ela a situação no Espírito Santo tornou-se insustentável para a população.

* Com informações da Agência Brasil.

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