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Você pode ficar sentado no chão de uma estação de metrô? A orientação da autoridade é para que não fique. Então, por que ficaria? Dentro de uma estação de metrô, você poderia andar de skate? Se a orientação diz que não, você faria o contrário?

Recentemente, dois casos chamaram atenção. Na noite da última terça-feira (7), um estudante de Direito foi agredido na estação Barra Funda da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), na zona oeste de São Paulo, após desrespeitar uma ordem para não ficar sentado no chão do metrô.

Estudante foi agredido em estação Barra Funda da CPTM após desobedecer as orientações do segurança do Metrô
Reprodução/Google Maps
Estudante foi agredido em estação Barra Funda da CPTM após desobedecer as orientações do segurança do Metrô


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Já no domingo (26), um outro estudante foi imobilizado com uma gravata e jogado para fora da  estação do   metrô Palmeiras-Barra Funda após ser flagrado pelos seguranças com um skate na plataforma de embarque.

A questão levantada aqui não é violência descabida dos seguranças (a CPTM já informou que vai apurar o ocorrido e tomar as providências cabíveis), ou da sua falta de preparo e treinamento. Concordamos que a reação foi desmedida e injustificável nos dois casos. 

O ponto deste artigo é destacar que há pessoas que não conseguem respeitar as mais simples ordens e orientações. Para alguns, a desobediência soa quase como um ato libertário de fé, pouco importando que a recusa em atender um pedido de uma autoridade, amparado numa norma ou lei, pode transformar uma situação simples num caso de violência fora de controle. Se um individuo toma a decisão arbitraria de andar de skate num local proibido, e nada acontece, uma das mensagens que seu cérebro pode receber é de que, quando possui uma vontade, ela pode ser executada imediatamente, não importa as consequencias, como não se importar com o sinal vermelho em um cruzamento, ou demonstrar suas emoções numa manifestação política quebrando vidros, ou incendiando ônibus. Exagero? 

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Veja o que aconteceu no Espírito Santo, esta semana, quando a Policia Militar parou de patrulhar as ruas. A população se organizou? Foram criadas ações de voluntariado? Alguma ONG veio ajudar? Direitos foram respeitados? Não. Dezenas de pessoas foram assassinadas, lojas saqueadas e patrimônio público e privado destruido. Como isso tudo começou? Provavelmente com um cidadão que, ao perceber que a polícia não estava nas ruas, decidiu cometer uma pequena infração, que levou a outra e em pouco tempo um Estado inteiro perdeu o controle, e seus cidadãos apavorados evitam sair de casa.

Curiosamente, não é incomum ouvir histórias sobre estes infratores, que ao viajar para outros países, e visitar lugares como a Disney ou a Torre Eiffel, obedecem imediatamente as autoridades locais quando orientados para não sentar no chão ou andar de skate.  

Então só resta a resignação para o skatista, o estudante que queria sentar e o policiais capixabas? Eles são obrigados a ficar a mercê do Estado e se submeter passivamente a situações que julgam ser injustas? Claro que não. Para as pessoas que se consideram civilizadas existem duas saídas democraticas extremamente eficientes para fazer mudanças:

1) Há cada quatro anos podemos mudar os representantes do povo que elaboram e aprovam as leis. Não está feliz com uma lei? Procure um candidato alinhado com seus pensamentos e vote nele. Ou então canditade-se a um cargo eletivo e seja você mesmo um servidor público legislador. No caso de você ou seu candidato não serem eleitos, é sinal que a maioria não concorda com suas ideias, e numa democracia, é a maioria  que decide.

2) Ao invés de brigar com o guarda do metrô, vá até uma delegacia, faça um boletim de ocorrência,  e leve-o até um Juizado de Pequenas Causas. Use o sistema a seu favor de forma inteligente, sem quebrar leis, nem recorrer à violência. 

Leis, regras e normas existem desde a criação da humanidade por um motivo: organizar a convivencia pacífica entre as pessoas e evitar o caos. Cumprir a lei apenas quando for conveniente, não é opção, é crime.

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