Tamanho do texto

Indiciados estavam presos provisoriamente; ambulante foi espancado até a morte em pleno dia de Natal quando tentava defender moradora de rua

Indiciados: Alípio Rogério Belo dos Santos e Ricardo Martins do Nascimento; Justiça decretou prisão preventiva
Divulgação
Indiciados: Alípio Rogério Belo dos Santos e Ricardo Martins do Nascimento; Justiça decretou prisão preventiva

O Tribunal de Justiça de São Paulo converteu de temporária para preventiva a prisão dos dois indivíduos acusados de matar o vendedor ambulante Luiz Carlos Ruas em uma estação do Metrô na região central da capital paulista. O crime aconteceu no dia 25 de dezembro do ano passado.

LEIA MAIS: "Morreu dando a vida para outro", diz viúva de ambulante morto no Metrô

O pedido de prisão preventiva foi apresentado à Justiça pelo promotor Neudival Mascarenhas Filho, do MP-SP (Ministério Público de São Paulo). Ele argumenta que os indiciados, Ricardo Martins do Nascimento e Alípio Rogério Belo dos Santos, agrediram covardemente Ruas, que havia somente interferido para apaziguar uma situação envolvendo os dois homens. O vendedor foi espancando pela dupla e chegou a ser resgatado, mas morreu no hospital.

Testemunhas disseram à polícia que, antes de espancarem Ruas, os acusados agrediram uma moradora de rua transexual com socos e chutes. Em seguida, outra pessoa transexual interveio para ajudar a amiga, sendo perseguida por Santos e Nascimento, que não conseguiram alcançá-la. A vítima, que vendia doces nas imediações, pediu que os indiciados se acalmassem, tornando-se o novo alvo da violência. Após quebrar a barraca de vendas usada por Ruas, os dois passaram a persegui-lo. Já no interior da estação, o homem foi agredido com chutes e socos, sendo inclusive pisoteado na cabeça Os assassinos deixaram o local, mas retornaram para continuar com as agressões contra a vítima, já desfalecida. A ação criminosa foi flagrada por câmeras de vigilância.

LEIA MAIS: Suspeitos de matar vendedor dizem que estavam alcoolizados na hora da agressão

Para a Promotoria , a decretação da prisão preventiva era necessária para garantir a ordem pública, abalada pela conduta periculosa dos indiciados. A medida serve ainda para assegurar a proteção às vítimas e testemunhas, que irão prestar depoimento e realizar reconhecimentos em juízo.

Ainda de acordo com o MP-SP, Santos e Nascimento devem continuar presos também para assegurar a aplicação da lei penal, tendo em vista que, após o crime, mesmo tendo seus rostos estampados em diversos veículos de comunicação, os indiciados se evadiram de suas residências, mantendo-se escondidos em outros locais.

Família

Na primeira semana de mandato, o prefeito de São Paulo , João Doria (PSDB), anunciou que a empresa responsável pela limpeza pública na capital paulista iria contratar Reginaldo Ruas, irmão do vendedor morto, para trabalhar como motorista, com salário de R$ 2 mil.

O anúncio foi feito depois que centenas de pessoas fizeram manifestações na Estação Pedro II , da Linha 3-Vermelha do Metrô , pedindo justiça após o assassinato. Os participantes também reivindicaram mais segurança nas estações.