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O estado do Rio já registrou as 17 mortes em 50 penitenciárias; funcionários decidem seguir em greve apesar da ameaça de cobrança de multa do governo

Morte de detento foi registrada na prisão Bangu apenas um dia antes do início da greve dos funcionários penitenciários
Agência Brasil
Morte de detento foi registrada na prisão Bangu apenas um dia antes do início da greve dos funcionários penitenciários

A Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap) do Rio de Janeiro informou nesta quinta-feira (19) que só nesses primeiros 19 dias do ano, já foram registradas 17 mortes de detentos entre as 50 unidades penitenciárias do estado. Sindicâncias internas foram abertas para investigar caso a caso e os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML).

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Conforme foi divulgado pela Seap-RJ, um detento foi encontrado morto dentro de sua cela no Complexo Penitenciário de Gericinó, mais conhecido como Bangu, na ultima segunda-feira (16). A Seap informou que inspetores de segurança e administração penitenciária da Cadeia Pública Pedro Melo da Silva foram chamados à cela de Diego Maradona Silva Souza, que estava passando mal.

Quando chegaram ao local, encontraram Diego já sem vida. A causa da morte não é certa e será determinada por laudo do IML. "Cabe ressaltar que o interno estava com outros cinco detentos em uma cela, chamada "seguro", separada dos demais internos desta unidade. Os outros companheiros de cela também estavam no seguro", declarou nota da Seap.

"Ele era um preso provisório e a quantidade de presos provisórios morrendo é imensa. As piores unidades prisionais são as de presos provisórios, porque estão mais superlotadas", afirmou o coordenador do Núcleo do Sistema Penitenciário da Defensoria Pública do Estado, Marlon Barcelos.

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Greve sindical

A morte de Diego aconteceu um dia antes do início da greve do início da greve dos agentes penitenciários, na terça-feira (17). Com a paralisação, foram mantidos apenas os serviços essenciais como atendimento médico de emergência, alimentação e cumprimento de alvarás de soltura.

O movimento reivindica o recebimento de horas extras do segundo semestre de 2016, décimo terceiro salário de 2016 e prêmios pelo cumprimento de meta. Os salários de dezembro foram pagos aos funcionários na quarta-feira (18).

A greve tem previsão de duração até a próxima segunda-feira (23), mas na quarta-feira (18) uma decisão judicial determinou que o movimento chegue ao fim nas próximas 24h, sujeito à multa de R$ 100 mil por dia caso a greve permaneça.

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O presidente do Sindicato dos Servidores do Sistema Penal, Gutembergue de Oliveira, afirmou não ter recebido notificação da decisão e pretende recorrer. "O motivo [da greve] é, principalmente, falta de dignidade para homens, no sentido amplo, tanto de um lado como do outro. Homens para cumprir a sentença a que foram condenados e homens para prestar um serviço [agentes penitenciários] de tamanha importância para a sociedade", disse.

Na decisão, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), Luiz Fernando Carvalho, afirma que o momento é de crise para as penitenciárias em todo o País, citando os massacres do Amazonas, Roraima e Rio Grande do Norte. Segundo ele, a greve prejudica a visita de parentes.

*com informações de Agência Brasil