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Defensoria Pública da União quer que o limite de detentos por penitenciária seja respeitado no estado; solução sugerida seria abrandar penas dos presos

Cármen Lúcia terá que decidir se abrandamento de penas vai aliviar crise carcerária ou aumentar violência nas ruas
José Cruz/ Agência Brasil - 16.11.2016
Cármen Lúcia terá que decidir se abrandamento de penas vai aliviar crise carcerária ou aumentar violência nas ruas

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, se encontrou, na manhã desta segunda-feira (16), com o defensor-público geral Carlos Eduardo Paz, para analisar argumentos a favor da liberação de presos no estado do Amazonas.

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O pedido, feito pela Defensoria Pública da União (DPU), e protocolado na semana passada é a favor do respeito ao limite oficial de detentos por penitenciária no Amazonas . Para isso, os defensores sugerem que sejam  concedidos aos presos excedentes progressões de pena para um regime mais brando – do fechado para o semiaberto e do semiaberto para o domiciliar com monitoramento.

Para embasar o pedido, feito após a morte de 64 detentos em rebeliões nos presídios do Amazonas no início deste ano, a DPU cita decisões do próprio STF que determinam a progressão para um regime mais brando caso não haja vagas no regime determinado para o condenado na sentença judicial.

Inseguraça nas ruas

A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) entrou no caso para argumentar contra a medida. Para o presidente da entidade, Jayme de Oliveira, se o pedido da DPU for aceito pelo STF, a cada rebelião em um presídio poderá ocorrer a soltura indiscriminada de presos, acarretando em uma situação de insegurança nas ruas para a sociedade.

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“Não é questão de segurança ou insegurança, é uma questão de análise jurídica”, disse Carlos Eduardo Paz após sair da reunião com Cármen Lúcia. Para ele, são necessárias medidas imediatas para “minorar os efeitos” das rebeliões nos presídios amazonenses.

“Não se trata de deixar solto ou colocar [na prisão]. Se trata de cumprir ordens judiciais. O que não se pode é ter uma situação limítrofe de mortes. Se tem gente que tem direito à progressão, que se faça”, afirmou o defensor-público geral. “Isso não é inovação, não é invenção da Defensoria Pública”, acrescentou.

Questionado se o pedido para a soltura de presos seria estendido a outras unidades da federação, Carlos Eduardo Paz disse não ser “questão de nós querermos estender ou não, mas certamente a decisão que for tomada em um caso como esse pode sim trazer outros tipos de interpretação”.

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O pedido da DPU foi distribuído para relatoria do ministro Luiz Edson Facchin, mas devido ao recesso do Poder Judiciário, caberá à ministra Cármen Lúcia julgar sobre a necessidade ou não de se conceder uma decisão liminar – imediata e provisória – sobre a liberação de presos no Amazonas.

* Com informações da Agência Brasil.