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Presos mortos em chacina relataram que administração da penitenciária recebia dinheiro de facção criminosa para liberar entrada de drogas e armas

Corrupção: diretor de presídio em Manaus é acusado de receber dinheiro para liberar entrada de drogas
Reprodução
Corrupção: diretor de presídio em Manaus é acusado de receber dinheiro para liberar entrada de drogas

Acusado de participar de esquemas de corrupção, o diretor interino do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), José Carvalho da Silva, foi afastado do cargo nesta terça-feira (10) pelo governador do Amazonas, José Melo (PROS). A unidade prisional, que fica em Manaus (AM), foi o local onde 56 presos foram mortos após uma rebelião entre os dias 1º e 2 de janeiro.

A sanção administrativa contra o diretor foi decidida após vir a público uma informação de que dois presos mortos na chacina haviam mandado cartas à Defensoria Pública em que relatavam um esquema de corrupção envolvendo a administração do presídio. Segundo os documentos, a direção da unidade recebia dinheiro de integrantes de facções criminosas  para liberar a entrada de armas, drogas e celulares.

O governo do Amazonas informa que Silva permanecerá afastado até que os fatos sejam esclarecidos. Se, ao fim da apuração, as denúncias forem confirmadas, ele poderá ser exonerado e processado na Justiça.

A Defensoria Pública do Estado afirma que, no dia 10 de dezembro – 19 dias antes do massacre –, os presos Gomes da Silveira e Gezildo Nunes da Silva entregaram cartas relatando as irregularidades. Os detentos também relataram que estavam sofrendo ameaças por saberem do esquema.

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“Eles [diretores] são corruptos e recebem dinheiro da facção criminosa, facilitando a entrada de drogas e celulares e [também] a última fuga no Compaj”, escreveu Alcinei em um dos documentos.

Força Nacional

O governo federal enviou hoje cerca de 200 agentes da Força Nacional de Segurança Pública para atuarem no Amazonas e em Roraima , dois dos Estados mais afetados pela crise no sistema penitenciário do País.

Embora as tropas sejam enviadas com o intuito de atenuar a crise nos presídios, os agentes não irão atuar dentro das prisões. “Nenhum pedido para a Força Nacional agir como agente penitenciário será deferido. Isso é ilegal. Ela é composta de policiais militares e há uma unanimidade, independente de ideologia, de que quem prende não deve cuidar. Isso é uma contingência legal", explicou o ministro da Justiça , Alexandre de Moraes, em entrevista coletiva realizada na última segunda-feira (9).

No dia 5, após vistoria em Manaus, o ministro declarou que a “responsabilidade visível e imediata” do massacre ocorrido no Compaj é da Umanizzare. “Basta verificar os fatos para ver que houve falha da empresa. Não é possível que entrem armas brancas e armas de fogo, e que todos saibam antes, pela internet, por meio de selfies de presos. Quem tinha a responsabilidade imediata para verificar essa entrada e a festa de final de ano é a empresa que faz a segurança.” As afirmações foram feitas antes da divulgação do suposto caso de corrupção no presídio.


* Com informações da Agência Brasil