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Procedimento é necessário para fazer o reconhecimento do corpo de forma oficial, apesar dos indícios do crime; carro foi encontrado queimado no dia 29

Embaixador Kyriakos Amiridis (à dir.) participou em maio de evento no Palácio do Planalto com o presidente Michel Temer
José Cruz/Agência Brasil - 25.5.2016
Embaixador Kyriakos Amiridis (à dir.) participou em maio de evento no Palácio do Planalto com o presidente Michel Temer

O delegado Evaristo Pontes, da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense, responsável pelas investigações da morte do embaixador grego no Brasil, Kyriankos Amiridis, informou nesta segunda-feira (2) que a polícia técnica vai recolher material genético da filha do diplomata, de 10 anos, para fazer o reconhecimento oficial do corpo, encontrado carbonizado dentro do carro da vítima, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

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“Estamos providenciando o exame. Nós temos todas as informações que identificam que o corpo é do embaixador . Mas precisamos do exame técnico. Isso é protocolo. Somente com o exame técnico-científico é que a gente vai assegurar com toda a certeza que se trata do corpo do embaixador”, afirmou Pontes.

O delegado também confirmou que policiais da Grécia estão no Rio de Janeiro para acompanhar as investigações da morte do diplomata grego.

O carro que Kyriankos Amiridis dirigia foi encontrado queimado, na última quinta-feira (29), embaixo de um viaduto do Arco Metropolitano, em Nova Iguaçu. Dentro, estava o corpo carbonizado do embaixador.

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Segundo o delegado, Amiridis foi morto dentro de sua casa, em Nova Iguaçu, pelo policial militar Sergio Gomes Moreira Filho, apontado como amante da embaixatriz Françoise de Souza Oliveira, mandante do crime. O corpo foi depois levado para o carro pelo PM, enrolado em um tapete, com a ajuda de seu primo, Eduardo Moreira de Melo.

O policial aparece em gravações de câmeras de segurança no condomínio do embaixador. Ele e Eduardo confessaram participação no crime, mas a embaixatriz nega que tenha envolvimento no crime. Porém, segundo o delegado Pontes, ela foi a mentora intelectual do assassinato. Os três tiveram prisão temporária de 30 dias expedida pela Justiça.

Entre as motivações para o crime, pode estar a apropriação de bens e até do seguro de vida do embaixador, mas essa circunstância ainda está sendo investigada. O diplomata estava desaparecido desde a última segunda-feira  (26). Amiridis morava em Brasília e passava férias no Rio, onde foi cônsul-geral de 2001 a 2004.

Carreira do diplomata

Kyriakos Amiridis nasceu em Veria Imathias, na Grécia. O diplomata, de 59 anos, era casado e pai de uma filha. Formou-se em Direito pela Universidade de Aristóteles em Tessalônica, também na Grécia. Começou sua carreira diplomática em 1985, no ministério grego de Relações Internacionais.

O embaixador participou de uma cerimônia no Palácio do Planalto, em maio deste ano, com o presidente Michel Temer. Na ocasião, o governo brasileiro oficializava os embaixadores como representantes de seus países no Brasil. A entrega das credenciais ao presidente da República é uma formalidade que aumenta as prerrogativas de atuação do diplomata no Brasil.

*Com informações da Agência Brasil