Polícia da França foi mobilizada para conter confrontos
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Polícia da França foi mobilizada para conter confrontos

Alunos dos liceus franceses, equivalentes ao ensino médio, bloqueiam escolas desde a semana passada, em protesto por melhores condições de ensino. Eles denunciam problemas como salas superlotadas, carga de trabalho excessiva, materiais didáticos de baixa qualidade e falta de professores.

O movimento começou na região de Île-de-France, onde fica Paris, mas se espalhou para outras partes do país.

Quase 2 mil pessoas foram detidas desde o início dos protestos, a maioria acusada de atos violentos, incluindo agressões contra policiais. Ao todo, 305 policiais ficaram feridos, segundo o Ministério do Interior francês.

Nesta sexta-feira (02/10), cerca de 400 escolas permanecem fechadas, oferecendo apenas ensino a distância, anunciou o ministro da Educação, Édouard Geffray. De acordo com ele, desde o início dos protestos, 170 estudantes e 65 profissionais da educação ficaram feridos.

Governo condena violência

O presidente Emmanuel Macron afirmou que as preocupações dos estudantes são legítimas, mas ressaltou que elas não justificam episódios de violência ou ataques contra policiais e professores.

"As escolas existem para permanecer abertas e compartilhar conhecimento. Não foram feitas para serem bloqueadas ou para terem lixeiras incendiadas", declarou durante visita a Madri.

Integrantes do governo têm acusado grupos de extrema esquerda de estimular episódios de violência durante os protestos, como o partido França Insubmissa (LFI) e seu líder, Jean-Luc Mélenchon.

"Observamos que, em alguns locais, havia indivíduos atuando como agitadores. Além disso, eles se deslocavam de uma escola para outra para incentivar estudantes a praticar atos violentos", disse o ministro do Interior, Laurent Nuñez.

Na segunda-feira passada, Mélenchon acusou o governo de conduzir uma repressão com "evidentes conotações racistas".

"Deixem nossa juventude em paz!", escreveu nas redes sociais, ao mesmo tempo em que incentivou militantes e dirigentes da legenda a apoiarem os protestos.

O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, classificou a acusação de racismo como "um insulto" e afirmou que Mélenchon está "racializando um debate sobre a segurança dos estudantes e aprofundando divisões em um momento em que um líder responsável deveria buscar restaurar a calma".

As manifestações chegaram também às universidades. Segundo o sindicato estudantil Union Étudiante, cerca de 30 campi registraram bloqueios na manhã de quinta-feira.

Em várias localidades, os protestos ocorreram de forma pacífica. Em outras, houve vandalismo, incêndios e confrontos com a polícia. A imprensa francesa relatou ataques a ônibus e pontos de transporte público.

Violência em várias cidades

Alguns dos episódios mais graves ocorreram em Marselha.

No liceu Victor-Hugo, dois professores foram atingidos acidentalmente por gasolina quando um estudante tentou lançar combustível em uma lata de lixo para provocar um incêndio.

Em outra escola da cidade, o liceu Saint-Exupéry, centenas de jovens cercaram um caminhão dos bombeiros que havia chegado para apagar um incêndio. Segundo a polícia, os manifestantes obrigaram os bombeiros a abandonar o veículo e depois atearam fogo nele.

Um colégio também foi incendiado em Nantes. Em Le Havre, no norte da França, a fachada de outra escola sofreu danos provocados pelo fogo.

Em Estrasburgo, um carro foi incendiado. Já em Toulouse, no sudoeste do país, jovens entraram em confronto com policiais.

No subúrbio parisiense de Saint-Denis, grupos de estudantes se reuniram diante de um cordão policial. Os manifestantes criticaram a atuação da polícia e o uso de força excessiva, que incluiu o uso de bombas de gás lacrimogêneo.

Governo quer responsabilizar pais

O ministro da Justiça da França, Gérald Darmanin, informou nesta sexta que pediu aos procuradores que busquem a responsabilização civil dos pais pelos danos causados por seus filhos durante os protestos e distúrbios ligados ao movimento de bloqueio de escolas de ensino médio.

"Solicitei aos procuradores-gerais que defendam uma resposta firme, o mais rápido possível, mas, sobretudo, que peçam a responsabilização civil, ou seja, que os pais sejam solidariamente responsáveis pelos atos cometidos por seus filhos", afirmou Darmanin em entrevista à rádio RTL.

"Quando professores são atacados, quando o serviço público é atacado, evidentemente a Justiça deve agir", disse. Ao mesmo tempo, reconheceu que as reivindicações dos estudantes e dos jovens franceses "devem ser ouvidas".

O ministro da Educação, Édouard Geffray, tem agendada nesta sexta-feira uma reunião com representantes de sindicatos de professores e funcionários, associações de pais, entidades estudantis e membros do Conselho Nacional da Vida Escolar para discutirem soluções para a crise.

sf/md (AFP, DPA, EFE)

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