Aeronave da companhia Flydubai teve que fazer pouso de emergência na Arábia Saudita após incidente
Redação DW
Aeronave da companhia Flydubai teve que fazer pouso de emergência na Arábia Saudita após incidente

Um voo da companhia aérea Flydubai teve que fazer um pouso de emergência na Arábia Saudita, nesta quarta-feira (30/9), após o copiloto ter esfaqueado o piloto, dentro do cockpit, e tentado derrubar a aeronave antes de ser impedido por passageiros e pela tripulação.

O avião havia decolado de Dubai, nos Emirados Árabes, e tinha como destino Tel Aviv, em Israel, e levava cerca de 174 passageiros, entre eles 166 israelenses.

A informação foi confirmada pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que afirmou que passageiros e tripulantes "salvaram muitas vidas e impediram um enorme desastre" ao intervir no incidente.

Segundo informações da companhia aérea, a aeronave desceu em Tabuk, na Arábia Saudita, pilotada por outro membro da tripulação que viajava na cabine, com os passageiros em segurança. Duas aeronaves teriam sido enviadas a Tabuk para transportar os passageiros e os membros da tripulação. Ambos os pilotos foram levados ao hospital e o agressor foi preso, disse Netanyahu.

O que foi registrado durante o voo?

"O Boeing 737 que operava o voo FZ 1073 decolou de Dubai pela manhã. Antes de chegar à fronteira com a Jordânia, fez uma curva brusca para o norte e perdeu cerca de 4,3 quilômetros de altitude em 30 segundos, segundo o site de rastreamento Flightradar24. Em seguida, foi acionado o primeiro alerta.

Inicialmente, a aeronave transmitiu o código 7700, que indica uma situação de emergência, e, em seguida, o código 7500, utilizado para comunicar um sequestro de aeronave.

O avião voou então a uma altitude mais baixa, seguindo uma trajetória irregular, até que, ao chegar à fronteira com a Jordânia, deu meia-volta e seguiu para Tabuk, onde realizou um pouso de emergência.

O piloto e o copiloto do avião ficaram feridos e foram levados ao hospital ao pousar em Tabuk, informou o aeroporto saudita em um comunicado.

O que aconteceu dentro do avião?

O avião começou a rodar "praticamente fora de controle", disse a passageira Miryam Shira Ohayon, citada pela agência de notícias Reuters. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o copiloto havia esfaqueado o piloto na tentativa de assumir o controle e derrubar a aeronave.

Quando o avião começou a cair, um passageiro e um membro da tripulação invadiram a cabine de comando, disse Netanyahu, citando um passageiro com quem conversou. Eles imobilizaram o agressor e outro membro da tripulação recebeu a permissão para assumir o comando do avião.

Entre os passageiros que intervieram estavam membros das forças de segurança israelenses e agentes de segurança aérea, segundo uma fonte a par da investigação, citada pela agência de notícias France Presse (AFP). Uma autoridade também confirmou que Israel havia mobilizado aviões de combate, temendo um sequestro. A fonte falou sob condição de anonimato à AFP.

A FlyDubai confirmou que "ocorreu uma briga na cabine de comando" e que a aeronave foi controlada pela tripulação de plantão, "que desviou a rota e pousou a aeronave com segurança".

O Canal 12 da televisão israelense divulgou vários vídeos que mostram momentos de caos durante a descida repentina. Um vídeo também mostra três passageiros ensanguentados ao lado da cabine do avião, protegendo os dois pilotos, que aparecem no chão e ensanguentados. Eles afirmam ter "controlado o terrorista" depois que ele esfaqueou o piloto e tentou atacá-los.

"Fomos atacados e estamos protegendo o piloto que foi atacado”, afirmam os homens, enquanto mostram tanto o suposto agressor, deitado de lado no chão e com uma máscara de oxigênio, quanto o agredido, também deitado no chão com outra máscara.

Quem era o copiloto e qual a motivação do ataque?

De acordo com a Reuters, o suposto agressor seria um cidadão de Omã. Ele foi detido após o pouso. As autoridades da Arábia Saudita estariam interrogando o homem, declarou Netanyahu.

Integrantes das forças de segurança israelenses avaliaram o incidente, a princípio, como uma tentativa de ataque terrorista. Não haveria indícios de problemas psicológicos em nenhum dos pilotos, disseram. O ministro da Defesa, Israel Katz, declarou que o agressor tinha como único objetivo fazer com que a aeronave caísse. Ele classificou o caso como uma tentativa de "ataque jihadista", mas não explicou em que se baseia para classificar o caso dessa maneira.

Já Doron Spielman, porta-voz do gabinete do primeiro-ministro israelense, disse à Reuters que provavelmente não se trata de um sequestro, mas de um incidente de outra natureza.

Segundo a imprensa israelense, as investigações de Israel apontam que o copiloto agiu sozinho. Não haveria indícios de que um Estado ou uma organização terrorista pudesse estar por trás do incidente, informou a emissora de TV israelense Kan, citando fontes de segurança israelenses.

Nos últimos dias, Netanyahu alertou sobre a possibilidade de ocorrerem ameaças de segurança, sem especificar detalhes. Israel está a uma semana do aniversário do ataque liderado pelo Hamas contra Israel, ocorrido em 7 de outubro de 2023, que desencadeou uma série de guerras, e a poucas semanas de uma eleição.

    Compartilhar
    Tags: NOTiCIAS
    Comentários
    Clique aqui e deixe seu comentário!

    Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

    Mais Recentes