O exemplo mais comum são os comentários sexistas dirigidos às garçonetes
Petra Lambeck
O exemplo mais comum são os comentários sexistas dirigidos às garçonetes

"Foi uma primeira semana tranquila", resumiu o diretor da Oktoberfest, Christian Scharpf, ao fazer um balanço da primeira metade do evento, no fim de semana passado. A vice-prefeita de Munique, Verena Dietl, elogiou a "atmosfera harmoniosa e positiva". A polícia de Munique também apresentou uma avaliação positiva.

Mas de perto nem tudo são flores na Oktoberfest, principalmente para as garçonetes e garçons. Eles circulam em meio às multidões e enfrentam situações que muitas vezes não são denunciadas e, por isso, não aparecem em nenhuma estatística, apesar de ultrapassarem os limites do respeito.

O exemplo mais comum são os comentários sexistas dirigidos às garçonetes. Mas há também as declarações racistas e discriminatórias. Para combater esse problema, algumas trabalhadoras do atendimento criaram uma iniciativa na qual defendem uma convivência respeitosa na Oktoberfest.

"Há anos observamos como certas coisas voltaram a ser ditas e recebem pouca contestação", afirma um vídeo publicado no Instagram e no TikTok.

Segundo as idealizadoras da campanha, além das próprias experiências vividas na Oktoberfest, os sucessos eleitorais do partido da ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD)nos estados da Saxônia-Anhalt e de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental também motivaram a criação da iniciativa.

Elas veem nisso um sinal de que posições extremistas vêm conquistando cada vez mais aceitação na sociedade alemã. Por isso, a iniciativa recebeu o nome de Atendentes Contra a Extrema Direita.

Segurança na Oktoberfest

O porta-voz dos donos de bares e restaurantes da Oktoberfest destacou, em resposta a um questionamento da emissora Bayerischer Rundfunk, que "toda a família Oktoberfest sempre rejeitou e continua rejeitando, da forma mais veemente possível, qualquer tipo de discriminação, racismo e sexismo".

Mesmo assim, as promotoras da iniciativa gostariam que mais medidas fossem adotadas. O problema não parece estar no monitoramento: a área da Oktoberfest é coberta por 56 câmeras de vídeo da polícia, e cerca de 600 policiais, além de milhares de seguranças privados, trabalham no evento.

Até a metade das pouco mais de duas semanas de festa, a polícia registrou cerca de 470 crimes e infrações. Também houve denúncias por agressão física, assédio sexual e upskirting (filmar ou fotografar secretamente por baixo da saia de uma pessoa).

A Oktoberfest de Munique é uma das maiores festas populares do mundo e atrai, todos os anos, milhões de visitantes de diversos países. Na metade do evento, a direção do festival estimou o público em cerca de 3,8 milhões. A Oktoberfest termina em 4 de outubro, após 16 dias de celebrações.

    Compartilhar
    Tags: Alemanha
    Comentários
    Clique aqui e deixe seu comentário!

    Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

    Mais Recentes