Site da Casa Branca disponibiliza jogos com temática nacionalista para
Redação DW
Site da Casa Branca disponibiliza jogos com temática nacionalista para "contar a história das conquistas de Trump"

A Casa Branca lançou na quinta-feira (03/09) jogos em seu site oficial nos quais os jogadores podem deportar imigrantes e construir um muro na fronteira . A iniciativa do governo de Donald Trump gerou fortes críticas de entidades dos direitos humanos.

Um dos jogos, chamado Rio Run, uma versão do clássico Snake, popularmente conhecido como jogo da cobrinha, apresenta um avatar digital de Tom Homan – o encarregado das políticas de imigração e fronteira do governo dos EUA, conhecido como o "czar" da fronteira – perseguindo imigrantes com diferentes tons de pele às margens do Rio Grande, na fronteira com o México.

Outro jogo, inspirado no Tetris, chama-se Build the Wall ("Construa o muro"). "Proteja a fronteira da horda que se aproxima", dizem as instruções. Um terceiro jogo envolve a coleta de redes para serem depositadas nas chamadas "contas Trump" – contas de investimento com um depósito de mil dólares (R$ 5,1 mil) para crianças nascidas entre 2025 e 2028.

Para divulgar os jogos, o perfil da Casa Branca no X publicou um vídeo com o acrônimo Maga, de Make America Great Again ("Torne a América grande novamente"), imitando o logotipo clássico da fabricante de videogames Sega.

Trolagem como estratégia de governo

A estratégia de comunicação da Casa Branca emprega abertamente o princípio da trolagem nas redes sociais, que consiste em disseminar conteúdo provocativo para gerar indignação e alcançar um efeito viral.

O Departamento de Segurança Interna (DHS) divulgou recentemente um vídeo mostrando a deportação de imigrantes haitianos algemados, após Washington revogar o status que lhes permitia permanecer legalmente no país. O vídeo foi considerado degradante e racista por opositores de Trump.

Trump fez campanha com a promessa de expulsar milhões de imigrantes indocumentados e adotou diversas medidas polêmicas desde que retornou ao poder, visando acelerar as deportações e reduzir as travessias de fronteira.

ONGs denunciam iniciativa

Grupos de direitos humanos criticaram os jogos. "Me dá nojo. Eles vêm brincando com a vida das pessoas há anos, e agora transformaram isso em um videogame", disse Amerika Garcia Grewal, codiretora da Federação Frontera no Texas. "Quem os projetou perdeu de vista o que significa ser humano e se importar com os outros", acrescentou.

Adriana Jasso, coordenadora de programas da ONG Amigos San Diego Community, que trabalha na fronteira, disse que os jogos mostram uma "falta de seriedade" fundamental por parte do governo. "A crueldade, o extremismo do governo [...] já não surpreendem", afirmou.

Ela disse que a Casa Branca parece determinada a desumanizar e ridicularizar os migrantes, mesmo enquanto pessoas morrem em centros de detenção. "Isso apresenta essa questão como se fosse um jogo, quando na verdade não é."

O governo dos EUA, porém, defendeu a iniciativa, afirmando em um comunicado à imprensa que o videogame "destaca ainda mais o contraste entre uma cultura de 'diversão' e 'sucesso' e a visão socialista sombria que os democratas têm para os Estados Unidos".

"Este governo está totalmente focado em maneiras de inovar e contar a história das muitas conquistas do presidente de uma forma que ressoe com todos os americanos", disse a Casa Branca, em nota.

*Com informações da DW

    Compartilhar
    Comentários
    Clique aqui e deixe seu comentário!

    Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

    Mais Recentes