
O presidente Donald Trump declarou nesta segunda-feira (31/08) que não descarta revisar a posição de neutralidade dos EUA em relação à soberania sobre as Ilhas Malvinas.
Os Estados Unidos, assim como a maioria das nações ocidentais, reconhecem a administração do arquipélago pelo Reino Unido, mas não adotam uma posição oficial sobre a questão da soberania, reivindicada pela Argentina.
Segundo o jornal londrino The Daily Telegraph, a proposta está na lista de medidas que o Pentágono elabora como coerção para obter o compromisso de gastos de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) dos países aliados na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
"Eu sempre reviso todas as posições. Essa é apenas uma entre muitas", disse Trump no Salão Oval, ao ser questionado se os EUA estavam revisando sua postura sobre as Malvinas.
Ao ser perguntado se queria que o governo do novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, aumentasse seus atuais compromissos de gastos militares, Trump respondeu: "O Reino Unido tem alguns problemas, mas eles serão resolvidos".
Em abril, quando surgiram os primeiros relatos de uma possível revisão, o Departamento de Estado declarou à agência de notícias AFP, que a posição dos EUA sobre as ilhas permanecia de neutralidade.
Conflito armado em 1982
Quatro décadas após o conflito, as tensões permanecem elevadas entre o Reino Unido e a Argentina. Jogadores argentinos exibiram uma faixa com os dizeres "As Malvinas são argentinas" após derrotarem a Inglaterra por 2 a 1 numa semifinal da Copa do Mundo, no início deste ano. A Fifa multou a Associação de Futebol Argentino em 321 mil dólares.
A disputa histórica entre Argentina e Reino Unido levou a um conflito armado entre 2 de abril e 14 de junho de 1982, que se encerrou com a rendição do país sul-americano e a morte de 649 argentinos, 255 britânicos e três habitantes das ilhas.
Forças argentinas invadiram as ilhas, levando a então primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, a enviar uma força naval para retomá-lo.
O então presidente dos EUA, Ronald Reagan, adotou inicialmente uma postura neutra, mas, após o fracasso das negociações de paz, Washington forneceu apoio militar e de inteligência ao Reino Unido.
*Com informações da DW