Um palestino observa os estragos na casa da família Tabatibi depois do bombardeio israelense no bairro de Daraj em Gaza, em 12 de abril de 2024, durante as batalhas entre Israel e o movimento islamista palestino Hamas
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Um palestino observa os estragos na casa da família Tabatibi depois do bombardeio israelense no bairro de Daraj em Gaza, em 12 de abril de 2024, durante as batalhas entre Israel e o movimento islamista palestino Hamas
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Em menos de um mês, as bombas do Exército israelense caíram duas vezes no local onde membros da família Tabatibi, que já perdeu por volta de sessenta pessoas na guerra em Gaza, haviam se refugiado.

O último ataque ocorreu na noite de quinta-feira no bairro densamente povoado de Al Daraj, no norte da Cidade de Gaza, e matou pelo menos 25 membros da família Tabatibi, explicou um parente.

Em uma rua estreita, o edifício de seis andares onde viviam seguia de pé, mas com as sacadas da fachada mal preservadas, o térreo destruído pelo fogo e o interior cheio de escombros, segundo imagens captadas pela AFP.

"Não ouvimos cair nenhum míssil nem nada parecido, estávamos dormindo", relata entre lágrimas Khaled al Tabatibi, um membro sobrevivente da família.

"Nossa casa, minhas irmãs, seus filhos, suas filhas, todos ficaram destroçados em pedaços", acrescenta.

Ziyad Dardas, um vizinho, está emocionado. Seu irmão ficou ferido no ataque. "É uma loucura", destaca à AFP, e acusa os dirigentes palestinos e israelenses de serem responsáveis pela tragédia.

"Pergunto à Autoridade [Palestina], aos líderes do Hamas: "Não é suficiente?", acrescenta.

Os mortos e feridos foram enviados ao hospital de Al Shifa em Gaza, segundo a imprensa.

- Mortos como "mártires" -

O hospital ficou em grande parte destruído por uma recente operação militar israelense.

A família está de luto pela segunda vez em menos de um mês.

Em 15 de março, os Tabatibi se reuniram em Nuseirat, no centro do pequeno território palestino, para comer junto em ocasião da primeira sexta do Ramadã.

Um ataque aéreo atingiu o edifício onde se encontravam enquanto as mulheres preparavam a comida e matou 36 membros da família, disseram naquele dia testemunhas à AFP.

O Ministério da Saúde da Faixa de Gaza governada pelo Hamas fez a mesma avaliação, e atribuiu a responsabilidade do ataque a Israel.

Daquela vez, o Exército israelense, por sua vez, indicou que atacou dois "agentes terroristas", sem dar mais detalhes.

"Bombardearam a casa enquanto estávamos ali. Minha mãe e minha tia estavam preparando a comida sahur" que se come ao amanhecer antes de começar o jejum diário.

"Todos morreram como mártires", testemunhou Mohamed al Tabatibi no Hospital dos Mártires de Al Aqsa, onde os corpos de seus entes queridos descansavam.

O Ministério da Saúde do Hamas aponta em 33.634 o número de mortos até o momento na Faixa de Gaza, em sua maioria civis, devido à ofensiva aérea e terrestre lançada por Israel em represália ao sangrento ataque do Hamas em seu território em 7 de outubro.

Nesse dia, comandos do Hamas infiltrados a partir da Faixa de Gaza realizaram um ataque sem precedentes no sul de Israel, que levou à morte de 1.170 pessoas, em sua maioria civis, segundo um relatório elaborado pela AFP a partir de dados oficiais israelenses.

    AFP

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