Itália marca novo julgamento de extradição de Carla Zambelli

Pedido do governo brasileiro foi negado em julho deste ano; ex-deputada federal está foragida desde 2025 após ser condenada por dois crimes

Carla Zambelli foi presa em julho de 2025, na Itália, após fugir do Brasil depois de condenação pelo STF
Foto: Reprodução/Facebook
Carla Zambelli foi presa em julho de 2025, na Itália, após fugir do Brasil depois de condenação pelo STF

A Justiça da Itália agendou uma nova audiência para avaliar mais uma vez o  pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL). A audiência está prevista para o dia 29 de outubro.

O pedido é referente ao caso em que Zambelli perseguiu com uma arma um homem pelas ruas de São Paulo. Em julho, a Justiça havia anulado a extradição e determinado a apresentação de mais garantias do governo brasileiro e do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os italianos exigem mais informações sobre o tratamento que ela receberia no sistema prisional no Brasil, tendo em vista as condições de saúde da ex-deputada, que apresentou quadros de fibromialgia e desmaios.

Sendo assim, a Justiça determinou que o pedido brasileiro voltasse à fase inicial e fosse submetido a um novo julgamento.

Após a apresentação das informações, a data do novo julgamento foi marcada . A audiência foi agendada para o dia 29 de outubro, logo após o segundo turno das eleições presidenciais.

A defesa de Carla Zambelli afirmou que este pedido também deve ser negado por conta da falta de garantias processuais e do âmbito de direitos humanos e princípios fundamentais.

Além disso, os advogados também informaram que devem apresentar ao STF duas revisões criminais e dois pedidos de  exclusão da lista da Interpol.

Ainda de acordo com a defesa, as duas condenações no Brasil são abusivas, ilegais e baseadas em perseguição política.

Carla Zambelli foi localizada e presa na Itália em 2025. No entanto, em maio deste ano, a Justiça italiana negou o pedido de extradição apresentado pelo governo brasileiro e determinou a libertação. Atualmente, a ex-deputada responde em liberdade no país europeu.

O caso

O caso ocorreu em 29 de outubro de 2022, no bairro dos Jardins, em São Paulo. Zambelli perseguiu armada o  jornalista Luan Araújo, após uma troca de provocações.

Araújo manifestava apoio ao então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e foi seguido pela deputada por cerca de 100 metros.

Por esse crime, Zambelli foi condenada pelo STF a cinco anos e três meses de prisão em regime semiaberto, além da perda do mandato parlamentar. Ela também foi condenada ao pagamento de uma multa de cerca de R$ 480 mil.

Posteriormente, Zambelli também foi condenada no processo relacionado à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), caso que resultou em pena de dez anos de prisão.

Fuga e prisão na Itália

Zambelli tem cidadania italiana e deixou o Brasil em junho de 2025, após ser condenada a 10 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pela invasão aos sistemas do CNJ. A viagem aconteceu mesmo após determinação de prisão preventiva pelo ministro Alexandre de Moraes.

A condenação está relacionada à invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em janeiro de 2023, em parceria com o hacker Walter Delgatti, quando foi inserido um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes.

A ex-deputada passou pelos Estados Unidos e pela Argentina antes de seguir para a Itália. Após deixar o país, a deputada passou a ser considerada foragida internacional e teve o nome incluído na lista vermelha da Interpol.