PF descarta indícios de ataque a embaixadas no Brasil

Andrei Rodrigues afirmou que buscas não identificaram risco concreto contra representações diplomáticas; investigação continua após alerta dos EUA

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, durante coletiva neste domingo (4)
Foto: Distribuição/MJSP
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, durante coletiva neste domingo (4)

O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues , afirmou neste domingo (4) que as investigações sobre um suposto plano de ataque contra a Embaixada dos  Estados Unidos no Brasil não identificaram indícios concretos de risco às representações diplomáticas em território brasileiro. Segundo ele, as investigações realizadas até o momento não apontaram a existência de uma ação criminosa em andamento.

A declaração foi feita durante uma entrevista coletiva, na qual Rodrigues explicou que a corporação iniciou a apuração após receber informações da representação diplomática americana. As informações são do UOL.

“Recebemos uma comunicação da Embaixada dos Estados Unidos e, como é nosso dever, atuamos para apurar alguma veracidade daqueles dados que nos foram encaminhados. Cumprimos as medidas judiciais, é um processo sigiloso”, afirmou o diretor-geral.

De acordo com Rodrigues, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na sexta-feira (2). As medidas tiveram como objetivo reunir elementos para verificar a existência de uma possível ameaça às instalações diplomáticas.

O chefe da PF ressaltou que, até o momento, não foram encontrados elementos que comprovem risco efetivo contra a embaixada americana ou qualquer outra representação estrangeira no país. Apesar disso, a investigação permanece aberta.

“A Polícia Federal tem muita responsabilidade por isso. Um inquérito policial foi instaurado, será instruído a partir das apreensões que foram feitas e aí nós poderemos, ou não, ter alguns desdobramentos”, acrescentou.

Embaixada dos EUA suspendeu atendimento presencial

A investigação ocorre após os Estados Unidos suspenderem os atendimentos presenciais em sua embaixada, em Brasília, e nos consulados instalados no Brasil. A medida foi anunciada na sexta-feira (2), sob justificativa de preocupações com a segurança.

O governo do presidente Donald Trump não detalhou publicamente quais ameaças motivaram a decisão. Em comunicado, um porta-voz do Departamento de Estado americano afirmou que a segurança dos cidadãos dos Estados Unidos é uma prioridade e que o país trabalha em cooperação com as autoridades brasileiras para tratar de questões relacionadas ao tema.

As autoridades americanas também orientaram seus cidadãos a evitar as representações diplomáticas e áreas próximas a essas instalações. Para situações emergenciais, a recomendação foi buscar os canais de assistência consular disponíveis.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o Itamaraty, não havia se manifestado oficialmente sobre o caso até a publicação das informações pelo UOL.

Austrália também fechou embaixada no Brasil

Além dos Estados Unidos, a Austrália anunciou o fechamento temporário de sua embaixada no Brasil na sexta-feira (2), também alegando preocupações com a segurança.

A representação australiana informou que continuaria oferecendo assistência consular emergencial aos cidadãos do país. O comunicado também recomendou que australianos evitassem instalações diplomáticas americanas e áreas próximas.

O anúncio australiano mencionou que ataques terroristas podem ocorrer em diferentes lugares e a qualquer momento, mas não apresentou detalhes sobre uma ameaça específica no Brasil .

Apesar da proximidade entre as decisões, não há confirmação de que os fechamentos tenham sido motivados pelo mesmo episódio ou por uma ameaça comum.


A suspensão dos atendimentos ocorreu dois dias antes do primeiro turno das eleições brasileiras, realizado neste domingo (4). A proximidade com a votação chamou a atenção pela falta de informações detalhadas sobre as razões que levaram as representações diplomáticas a adotar as medidas de segurança.

A Polícia Federal informou que continuará analisando os elementos recolhidos durante as buscas para esclarecer as circunstâncias do caso e verificar se houve, de fato, alguma ameaça às instalações diplomáticas.