Donald Trump: PF abre investigação sobre interferência dos EUA nas eleições
Foto: Reprodução/Flickr/Gage Skidmore
Donald Trump: PF abre investigação sobre interferência dos EUA nas eleições

A Polícia Federal (PF) abriu uma apuração preliminar para investigar uma possível interferência externa nas eleições brasileiras. A informação foi confirmada neste domingo (4) pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, durante entrevista no Centro Integrado de Comando e Controle Nacional (CICCN), em Brasília.

A representação foi enviada pela Advocacia-Geral da União (AGU) na quinta-feira (1º) e teve como base uma reportagem publicada pelo jornal britânico The Guardian. A AGU é o órgão responsável pela representação judicial e extrajudicial da União e pela defesa dos interesses do governo federal.

Segundo o jornal, recursos do governo dos Estados Unidos foram destinados a um projeto que prevê o financiamento de grupos da sociedade civil que se opõem a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com o The Guardian, a iniciativa faz parte de um conjunto de 43 concessões que somam US$ 176,9 milhões do Fundo de Direitos Humanos e Democracia do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Cerca de US$ 1 milhão seria destinado a um projeto relacionado ao Brasil. 

Apuração ainda é preliminar

Rodrigues afirmou que a investigação está sob responsabilidade da Diretoria de Inteligência da Polícia Federal. Segundo ele, ainda não houve a instauração formal de um inquérito, mas já existe uma apuração em andamento.

A investigação deverá verificar se houve interferência externa no processo eleitoral brasileiro e se os recursos mencionados na reportagem estão relacionados a alguma atuação irregular.

Nunes Marques não reconhece interferência

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, declarou em coletiva neste domingo (4) que não há "nenhum indicativo" de interferência internacional nas eleições de 2026. A declaração reforça a afirmação feita pelo titular da Justiça Eleitoral no sábado (3). 

"Até o momento, nós não temos nenhum indicativo concreto de interferência internacional. Muito se falava, meses atrás, inclusive no ano passado, que essas interferências poderiam vir através das plataformas", pontuou.

Marques destacou que o trabalho feito junto às plataformas virtuais foi produtivo e "afastou" eventuais problemas.

"Eu creio que o trabalho conjunto que o TSE fez com as plataformas, não só o plano de conformidade, mas uma parceria e a dedicação que elas tiveram em se conformar à legislação brasileira, afastou muitos dos problemas que eventualmente poderíamos ter. Mas, até agora, não temos nenhum indicativo de nenhuma das nossas salas e equipes dentro do tribunal de nenhum tipo de interferência estrangeira", acrescentou.

PF descarta risco contra embaixadas

Durante a entrevista,  o diretor-geral da PF também afirmou que a corporação não encontrou elementos concretos que indiquem risco efetivo contra a Embaixada dos Estados Unidos ou outras representações diplomáticas em Brasília.

Na sexta-feira (2), a Embaixada dos Estados Unidos anunciou a suspensão de serviços consulares no Brasil por uma questão de segurança. A medida mobilizou as forças de segurança brasileiras.

Contexto:  EUA e Austrália fecham Consulados e Embaixadas no Brasil

“Não comprovamos nenhum elemento concreto que nos apontasse algum risco efetivo contra qualquer embaixada. Os elementos colhidos não indicam nada de concreto, nenhum plano que a gente tenha identificado”, afirmou o difetor-geral da PF.

A investigação sobre as ameaças às embaixadas é distinta da apuração sobre uma possível interferência externa nas eleições.


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