
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, enviou nesta sexta-feira (02) um documento ao diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, para defender que sejam investigados “eventual envolvimento de integrantes” do STF em fatos investigados no caso Master . As informações são do jornal O Globo.
No documento, Fachin afirma que vai tomar as medidas necessárias depois de receber um relatório com todas as informações relacionadas ao caso. O presidente do STF destacou que a análise deve ser feita “sem exceção”, ou seja, sem deixar de fora eventuais fatos envolvendo integrantes da própria Corte.
Fachin também afirmou que a investigação deve respeitar a autonomia da Polícia Federal e do Ministério Público, ao mesmo tempo em que devem ser respeitadas as funções previstas pela Constituição para o STF..
Nova reunião com diretor da PF
No fim do documento, Fachin menciona uma nova reunião com Andrei Rodrigues. Segundo o presidente do STF, os gabinetes dos dois já combinaram o encontro.
O documento não informa quando a reunião será realizada, porém, O GLOBO informou que o encontro estava previsto para o dia 13, mas pode ser antecipado.
Fachin também lembrou que já se reuniu duas vezes com o diretor-geral da Polícia Federal. A primeira reunião ocorreu em 17 de agosto, às 11h30, no STF . A segunda foi realizada em 31 de agosto, às 14h, no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Crise no STF
A manifestação de Fachin ocorre em meio a um conflito entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, que ganhou força após a divulgação de informações da Polícia Federal relacionadas ao Banco Master.
Mendonça é o relator do caso no STF. Ele tornou público um relatório da PF que reúne mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, preso sob suspeita de envolvimento em fraudes no sistema financeiro.
Entre as mensagens divulgadas estão conversas entre Vorcaro e Moraes.
Depois da divulgação do material, Moraes pediu que a atuação de Mendonça na condução das operações Compliance Zero, relacionada ao Banco Master, e Sem Desconto, que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), fosse investigada.
Moraes apontou possíveis irregularidades na atuação do colega e citou suspeitas de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade.
Além de Moraes e Mendonça, outros ministros do STF também aparecem relacionados ao caso em diferentes contextos, entre eles Dias Toffoli, Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e Gilmar Mendes.
O iG procurou o Supremo Tribunal Federal (STF) para confirmar as informações sobre o documento enviado por Fachin à Polícia Federal. Até a publicação desta matéria, não houve resposta.