Mendonça vota para manter posts sobre Nossa Senhora fora do ar

Ministro do TSE sustenta remoção de conteúdos que associam candidato a suposta alteração do reconhecimento de Aparecida como padroeira

Ministro André Mendonça
Foto: Rosinei Coutinho/STF
Ministro André Mendonça

O ministro André Mendonça , do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), votou nesta quarta-feira (30) para manter a decisão que determinou a retirada de publicações nas redes sociais associando o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL)  a uma  suposta proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

O julgamento ocorre em plenário virtual do TSE. Os demais ministros podem apresentar seus votos até as 23h59 desta quarta-feira.

Mendonça foi o primeiro ministro a votar e referendou a própria decisão, tomada na sexta-feira (25), que determinou a remoção de uma publicação do humorista Antonio Tabet e de outros conteúdos considerados semelhantes.

O que Mendonça afirmou

No voto, o ministro afirmou que não há projeto ou declaração de Flávio Bolsonaro que sustente a afirmação de que o candidato pretende alterar o título concedido a Nossa Senhora Aparecida.

Segundo Mendonça, a determinação não impede manifestações religiosas, críticas ou discussões sobre o tema. Para ele, a restrição se limita à atribuição, apresentada como fato, de uma suposta iniciativa ao candidato ou à família dele sem respaldo documental.

A decisão também estabelece que conteúdos que reproduzam a mesma alegação podem ser retirados das plataformas, dentro dos parâmetros determinados pela Justiça Eleitoral.

Projeto citado nas redes é antigo e foi arquivado

A origem da informação está relacionada ao Projeto de Lei 2.623/2007, apresentado pelo então deputado Professor Victorio Galli, do Mato Grosso.

A proposta pretendia alterar a Lei 6.802/1980, que estabelece o feriado nacional de 12 de outubro em homenagem a Nossa Senhora Aparecida. O texto propunha substituir a expressão "Padroeira do Brasil" por "Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos".

O projeto, porém, não é uma proposta atual de Flávio Bolsonaro. De acordo com os registros oficiais da Câmara dos Deputados, a matéria foi rejeitada na comissão que analisou seu mérito e acabou arquivada em 22 de agosto de 2008.

A própria Câmara informou, em 2018, que circulavam nas redes sociais mensagens falsas afirmando que o projeto ainda estaria em análise pelo Congresso.

Decisões diferentes no STF

A determinação de Mendonça provocou uma sequência de decisões envolvendo também o Supremo Tribunal Federal (STF).

No domingo (27), o ministro Flávio Dino suspendeu a ordem de Mendonça e determinou o restabelecimento de uma das publicações. Dino entendeu que os conteúdos poderiam permanecer no ar.

Na segunda-feira (28), porém, o ministro Luiz Fux suspendeu a decisão de Dino e restabeleceu os efeitos da determinação de Mendonça até que o caso seja analisado pelo plenário do STF.

Com isso, a disputa passou a envolver decisões de diferentes ministros das duas cortes, enquanto o TSE analisa nesta quarta-feira a decisão original de Mendonça.

Julgamento ocorre em meio à eleição

O caso ganhou repercussão durante a campanha presidencial de 2026, em razão da circulação nas redes sociais de conteúdos relacionando Flávio Bolsonaro ao projeto apresentado quase duas décadas atrás.

O julgamento desta quarta-feira deve definir, no âmbito do TSE, se a decisão que determinou a retirada das publicações será mantida pelos demais integrantes da Corte. O resultado depende dos votos dos ministros no plenário virtual.