Arqueólogos encontram resquícios de 3 navios "invisíveis" de 1559

Naufrágios muito antigos podem apresentar sinais magnéticos fracos demais para equipamentos e métodos atuais de identificação das embarcações

Arqueólogos da University of West Florida durante trabalhos de investigação nos destroços do Emanuel Point, um dos navios da expedição espanhola de Tristán de Luna que naufragou na Flórida em 1559
Foto: Foto: University of West Florida/Divulgação
Arqueólogos da University of West Florida durante trabalhos de investigação nos destroços do Emanuel Point, um dos navios da expedição espanhola de Tristán de Luna que naufragou na Flórida em 1559

Três navios espanhóis naufragados por volta de 1559 foram descobertos ao longo de quase 25 anos e ajudam a explicar por que métodos atuais de rastreamento podem estar falhando e deixando-os “ invisíveis ”.

É o que aponta a pesquisa Magnetic Detection of the Emanuel Point Shipwrecks, de William J. Wilson e Gregory D. Cook, ambos da University of West Florida. As embarcações muito antigas afundadas emites sinais magnéticos muito fracos, o que pode fazer com que muitos outros tenham passado despercebidos até hoje.

Os três navios espanhóis são conhecidos como Emanuel Point I, II e III, e foram encontrados em 1992, 2006 e 2016, na região de Pensacola, Flórida, Estados Unidos. Eles foram parte da expedição Tristan de Luna y Arellano, que acabou destruída por um furacão e fracassou.


O que os pesquisadores descobriram?

Conforme  o estudo publicado no dia 03 de abril de 2025, o equipamento utilizado para detectar naufrágios (magnetômetro) pode ser ineficiente para embarcações da era colonial muito antigas ou muito “corroídas”.

Isso porque o equipamento utiliza ondas magnéticas emitidas pelo ferro ou materiais similares para detectar possíveis localizações de embarcações no fundo do mar. No caso do trio Emanuel Point, contudo, o sinal era fraco e curto demais.

Os pesquisadores perceberam que pouco ferro permaneceu nos destroços, seja por ações naturais ou corrosão, o que praticamente os tornou “invisíveis” para a tecnologia atual.

O detalhe central da descoberta não é somente a baixa intensidade desses sinais, mas um possível avanço: sabendo disso, a equipe propôs utilizar  ondas emitidas por outros componentes.

Com isso, desde 2023, produziram diversos novos alvos de investigação, provavelmente de outras expedições, a partir de novos critérios indicando possíveis naufrágios aplicados a uma área de 189 hectares.

Ou seja, o objetivo era identificar e conhecer melhor os três navios já conhecidos, mas a pesquisa também abriu portas para um novo caminho que pode aperfeiçoar a maneira de encontrar outros vestígios do passado, mais discretos.