
Um homem chinês já foi picado nove vezes e perdeu um dedo para a víbora-de-fosseta-de-Mangshan, mas continua atuando na proteção e nas pesquisas da espécie rara que ele mesmo descobriu há 37 anos.
Chen Yuanhui, de 77 anos, se formou aos 19 anos em um curso das áreas biológicas no centro da China
e atuou em um centro de pesquisas em picadas de cobras.
O lugar foi desativado em 1982, mas Chen manteve a profissão próxima aos animais como médico especializado em acidentes com serpentes.
Ele descobriu a espécie Protobothrops mangshanensis (víbora de Mangshan) após atender um caso entre um trabalhador florestal e a espécie, que é muito rara e venenosa
. Na época, percebeu que a espécime não era documentada e iniciou buscas.
Após cinco anos, soube que um trabalhador localizou um ninho com 23 cobras que correspondiam ao “pequeno dragão verde”, descrição popular da cobra. Chen usou as economias da família para comprar uma geladeira e abrigar os animais, segundo o South China Morning Post.
Com isso, em 1990 anunciou oficialmente a descoberta da espécie, que é a 50ª cobra venenosa da China. Desde então, criou em casa animais da espécie, que solta na reserva natural das montanhas de Mangshan.
Tudo em nome da ciência
A dedicação de Chen às cobras teve alto custo pessoal. O homem já foi picado nove vezes pela víbora, e acreditou que morreria na oitava vez. A mordida mais grave, contudo, foi a nona.
Chen decidiu fotografar os ferimentos ao invés de ir correndo atrás de primeiros socorros. O atraso piorou a situação e o homem acabou três dias desacordado, além de uma parte do dedo médio da mão esquerda amputado.
Perigo de extinção e valor no mercado clandestino
A víbora de Mangshan é uma espécie exclusiva da China e está classificada como “em perigo” na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) desde 2011.
Quando Chen iniciou os trabalhos, existiam cerca de 200 indivíduos na natureza, enquanto atualmente o médico estima que sejam cerca de 600.
Com a raridade, a serpente valorizou no mercado clandestino, avaliada em cerca de R$ 800 mil cara indivíduo. O médico alega ter recebido propostas, mas recusa todas.
Ele destaca que o contraste entre o alto valor e a situação de conservação é preocupante, já que pode piorar a preservação do animal.