
Apagões em cidades inteiras, GPS fora do ar, satélites à deriva, oceanos que evaporam, ar que escapa para o espaço e radiação letal batendo no chão... Pode parecer o apocalipse, mas esse seria o estrago que uma tempestade solar provocaria se o planeta Terra não tivesse um campo magnético em pleno funcionamento. O "escudo" invisível que envolve o nosso mundo nasce no núcleo externo, a partir de uma camada de ferro e níquel líquidos cujo movimento gera as correntes que sustentam a magnetosfera.

Enquanto o escudo resiste, a maior parte do vento solar é desviada antes de corroer a atmosfera. O problema aparece na hipótese de a barreira falhar por completo e permitir a entrada do jato de partículas lançado pelo Sol. Sem o campo magnético, o ar seria arrancado gradualmente pelo próprio vento solar, os oceanos evaporariam com o tempo e a Terra viraria um deserto inóspito. Segundo Jim Green, cientista sênior da NASA, foi este processo que tornou Marte inabitável.
Além disso, a radiação letal tomaria a superfície, com aumento substancial de mutações genéticas e de câncer. O sumiço do escudo natural da Terra também afetaria aves, baleias e outras espécies que se orientam pelo magnetismo, já que perderiam a rota das migrações, ameaçando cadeias alimentares inteiras. Como se não bastasse, pesquisadores apontam que algumas perdas imediatas incluiriam o aumento do buraco na camada de ozônio, a fuga de oxigênio e de hidrogênio e os surtos de doenças causadas pelos raios ultravioleta.
Para medir o impacto do desaparecimento da magnetosfera, alguns laboratórios avançados criaram câmaras de campo magnético zero, revestidas de materiais condutores, capazes de anular o magnetismo e expor a reação das células a um ambiente que quase não existe na natureza. Nos testes, constatou-se que a ausência da força coloca em perigo desde tecidos vivos até sistemas inteiros.
Pesquisadores descobriram que a rotação da Terra se inverteu
Abaixo da superfície, o interior do planeta ainda esconde outro fenômeno desconhecido do grande público. Pesquisadores da Universidade de Pequim cruzaram dados sísmicos de terremotos entre 1990 e 2023 e descobriram que o núcleo interno desacelerou e passou a inverter a rotação da Terra. Apesar da curiosa mudança, não há o que temer. Segundo os responsáveis pela pesquisa, a variação mexe com o campo magnético e com a duração dos dias, mas não indica nenhum desastre próximo ou mudança brusca.