Super El Niño" tem 90% de chance e ameaça país com seca e calor

Boletim indica tempestades fortes no Sul e estiagem grave nas regiões Norte e Nordeste; fenômeno trará temperaturas acima da média nacional

Fenômeno ganhou força e deve provocar mudanças no clima do Brasil entre setembro e dezembro
Foto: Foto: Divulgação/ESA
Fenômeno ganhou força e deve provocar mudanças no clima do Brasil entre setembro e dezembro

A terceira edição do boletim do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta 90% de probabilidade de o  El Niño  atingir intensidade forte, popularmente conhecida como “Super”. O instituto também projeta quais serão os impactos no Brasil  nos próximos três meses. 

Segundo o boletim, a Região Sul, sobretudo no Rio Grande do Sul , deve receber volumes de chuva acima das médias históricas. Junto com o Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul tendem a registrar chuvas acima do esperado para a época do ano.

Já as regiões Norte e Nordeste tendem a ficar com chuvas abaixo da média, causando uma seca . Partes do Centro-Oeste e do Sudeste, especialmente Mato Grosso, Tocantins, Norte de Goiás , Minas Gerais e Espírito Santo, também têm maior probabilidade de chuva abaixo do normal.

O boletim também aponta que as temperaturas devem ficar acima da média em quase todo o território nacional, embora exista probabilidade de quedas bruscas em setembro, com entrada de massas de ar frio .

O Inmet destaca que eventos de El Niño mais intensos não significam automaticamente impactos mais severos, mas aumentam a probabilidade de que ocorram.

Por causa disso, reforça a necessidade de monitoramento, para identificar com antecedência áreas vulneráveis a secas, ondas de calor e possíveis episódios de chuva intensa e inundações no Sul.

O boletim foi divulgado nesta terça-feira (1º) e foi realizado em parceria com outros órgãos ambientais nacionais.


Mais chuva a caminho do Sul

Conforme a projeção apontada pelo boletim, é alto o risco de grandes volumes de chuva na Região Sul . As precipitações devem se concentrar sobretudo entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, enquanto no Paraná a tendência é que caiam sobre o Sudoeste, Serra do Mar, Litoral e Região Metropolitana de Curitiba.

O instituto alerta que os altos volumes podem retomar inundações e cheias nos principais rios da região e também deve impactar no resultado das colheitas das safras.

 A Região Sul já enfrentou alguns episódios intensos de chuva em 2026 , com número elevado de danos por granizo , ou pessoas fora de casa em razão de inundações.  

Estiagem avança no Norte e Nordeste

As chuvas serão abaixo da média para ambas regiões , com uma atenção especial para a Amazônia, onde se espera um atraso no início do período das chuvas no centro e sul da floresta, mantendo as características da primavera.

No Norte, a redução nas chuvas deve atingir o Amazonas, Acre, Roraima, Amapá, Pará e as regiões norte e central de Rondônia e Tocantins . O Nordeste deve passar por uma combinação de altas temperaturas e umidade baixa, intensificando as secas.

A exceção fica no litoral entre Pernambuco e Bahia, onde as condições de chuva devem permanecer favoráveis pelo menos durante setembro, mas também reduzem no resto do trimestre.

“Padrão dividido” para Centro-Oeste e Sudeste

As regiões mais centralizadas do Brasil devem enfrentar “um pouco de cada” padrão. No Sudeste, as chuvas ficam acima da média em quase todo estado de São Paulo , enquanto em Minas Gerais, Espírito Santo, o Norte do Rio de Janeiro  e o Norte de São Paulo, predomina tempo quente e seco.

De forma similar, no Centro-Oeste a chuva se concentra no Mato Grosso do Sul, enquanto os outros estados terão um trimestre mais quente e seco. As duas regiões podem ver uma melhora da seca em novembro, o que pode ajudar na umidade do solo e atividades agrícolas.

Calor e seca aumentam risco de queimadas

O Inmet destacou que a combinação de calor e estiagem prolongada nas regiões central e norte do país acende um alerta adicional para queimadas . O cenário aumenta o potencial de propagação dos focos do fogo, especialmente se o início da estação chuvosa atrasar, o que é considerado provável.