
Goiás registrou aumento de 40,6% no número de focos de queimadas entre os dias 10 e 16 de agosto de 2026. Foram 225 detecções no estado, contra 160 no mesmo período do ano passado, segundo o novo boletim do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo), vinculado à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad).
De acordo com o gerente do Cimehgo, André Amorim, o avanço foi provocado principalmente pela propagação de incêndios no Parque Estadual Telma Ortegal e no Parque Estadual de Terra Ronca . As ocorrências já foram controladas, mas são investigadas diante da suspeita de que o fogo tenha sido iniciado deliberadamente.
“Nós tivemos realmente uma situação de focos criminosos que elevou esse número das queimadas na última semana”, afirmou Amorim. Segundo ele, os incêndios nos dois parques “já estão todos debelados e controlados”, enquanto a Polícia Civil e outras forças de segurança atuam para tentar identificar os responsáveis .
A classificação dos incêndios como criminosos, porém, ainda depende da conclusão das investigações. Na resposta encaminhada à reportagem, o gerente não detalhou quais evidências foram encontradas, se existem suspeitos identificados ou se foram instaurados inquéritos específicos sobre as ocorrências nas unidades de conservação.
Alta ficou concentrada no Leste e no Norte
Os dados mostram que o crescimento não ocorreu de maneira uniforme pelo estado. A Região Leste passou de 48 focos entre 10 e 16 de agosto de 2025 para 129 no mesmo intervalo de 2026, aumento de 168,8%. No Norte, os registros subiram de 23 para 41, alta de 78,3% .
Juntas, as duas regiões concentraram 170 dos 225 focos contabilizados na semana, o equivalente a 75,6% do total estadual. As outras quatro regiões tiveram redução: a Central passou de 39 para 27; a Sul, de 19 para 11; a Oeste, de 19 para 14; e a Sudoeste, de 12 para três.
O Leste goiano, onde está localizado o Parque Estadual de Terra Ronca, respondeu sozinho por mais de 57% de todos os focos identificados no período. São Domingos também liderou o ranking municipal da semana, com 44 registros, seguido por Flores de Goiás, com 23, e Vila Propício, com 15.
Um incêndio pode gerar vários focos
Amorim explicou que os números produzidos pelo monitoramento por satélite não correspondem necessariamente à quantidade de incêndios distintos. Um único evento de grandes proporções pode gerar diversas detecções à medida que as chamas avançam pela vegetação e novas frentes de fogo são formadas.
“Se for uma área grande, o satélite vai identificando outros focos que vão se propagando. Não é um foco de queimada para uma área. Começou em um lote, pulou para um pasto e já virou dois ou três focos”, explicou.
A observação ajuda a interpretar o crescimento registrado nas unidades de conservação. A quantidade de pontos detectados não significa, necessariamente, que dezenas de incêndios diferentes tenham sido iniciados. Parte do total pode estar associada à expansão de poucos eventos, especialmente em Terra Ronca.
Estiagem e vento favorecem propagação
Segundo Amorim a estiagem prolongada e as rajadas de vento facilitaram o avanço das chamas. As condições meteorológicas não são apontadas pelo Cimehgo como origem dos incêndios investigados, mas tornam a vegetação mais vulnerável e aumentam a velocidade de propagação depois que o fogo é iniciado.
Até 16 de agosto, as regiões de Goiás acumulavam entre 57 e 67 dias sem chuvas significativas. Norte e Oeste estavam havia 67 dias sem precipitações relevantes; o Leste, 66 dias; as regiões Central e Sul, 64; e o Sudoeste, 57 dias.