Bandeira de Israel
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Bandeira de Israel


A cegueira em idade adulta é uma das mais radicais rupturas que um ser humano enfrenta pois, ao perder a capacidade de enxergar, terá de reconstruir sua relação com o mundo e até mesmo terá de repensar sua identidade. O cego perde apenas o contato com a luz e sua autonomia fica extremamente prejudicada. A perda da visão gera uma forte negação porque o cego tende a recusar a aceitar a sua nova condição e gera também uma revolta, um questionamento doloroso sobre sua perda.

Os judeus já sofreram, no passado, do fenômeno da cegueira. Quase sempre isto se dá num grupo muito pequeno, mas com consequências para toda a comunidade.

A cegueira atinge agora um grupo pequeno, embora bastante vocal, da Comunidade Judaica - os auto-denominados Judeus e Judias pela Democracia. Inicialmente há que se referir ao nome. Este grupo, com baixa adesão da população judaica Brasileira, não representa a Comunidade. Judeus de todas as matizes ideológicas são absolutamente defensores da democracia. Que sejam humildes e deixem de usar tal nome, que infere que quem não pensa como eles não seja democrata - uma mentira bem ao estilo de Machiavel (em O Príncipe) ou dos Sofistas, para quem a verdade não importa, o que importa é o poder de persuasão.

Em 1930 foi criado um pequeno grupo marginal chamado Verband nationaldeutscher Juden ou Associação dos Judeus Nacionais Alemães, (liderado por Max Naumann) que apoiou Hitler no início da década de 1930 por extremo patriotismo alemão e zelo assimilacionista. Eles acreditavam ingenuamente que a retórica nazista tinha como alvo apenas os judeus da Europa Ooriental ou de esquerda, e não os patriotas alemães leais. Isso foi bom durante alguns anos porém em 1935 o regime nazista os rejeitou completamente, proibiu a associação e seu líder foi preso pela Gestapo. Quase todos os membros deste grupo foram eliminados em campos de extermínio durante a Operação Reinhard. Foi um dos episódios de cegueira, certamente não o único.

Na Itália fascista também houve um pequeno grupo de cegos ideológicos, entre os quais Guido Jung (que chegou a ser Ministro das Finanças da Itália entre 1932 e 1935 e integrou o Grande Conselho Fascista), Aldo Finzi, Gino Arias, Giorgio Del Vecchio e Ettore Ovazza que fundou o jornal La Nostra Bandiera para demonstrar o patriotismo dos judeus e combater facções judaicas antifascistas.

A situação mudou drasticamente em setembro de 1938, quando Mussolini promulgou as Leis Raciais Italianas, que eliminaram os Judeus que haviam apoiado regime. Estes judeus foram sumariamente expulsos do Partido Fascista e das Forças Armadas e perderam seus cargos públicos, cátedras universitárias e o direito de lecionar.
Apesar do choque, alguns judeus fascistas convictos, como Ettore Ovazza, acreditaram que sua lealdade demonstrada ao longo de anos os pouparia da perseguição. Mas com a invasão alemã 1943 e a criação da República Social Italiana, a perseguição tornou-se letal. O próprio Ovazza e sua família foram brutalmente assassinados por tropas da SS em 1943. Outros ex-membros do partido, como Ettore Abenaim, acabaram deportados e mortos em campos de extermínio como Auschwitz.
Em um longo manifesto, totalmente maniqueista o mencionado grupo, infere que quem não é a favor do atual presidente do Brasil não seja democrata. Um dos trechos de seu manifesto diz: “sabemos o que significa uma sociedade aceitar pouco a pouco o autoritarismo, a perseguição e a construção de grupos humanos como inimigos. Por isso, nossa memória nos convoca à defesa dos direitos humanos, das lutas sociais, do SUS, da igualdade racial, da justiça social e de todas as conquistas democráticas que permitem que diferentes grupos lutem por seus direitos”.

Pergunta-se: o autoritarismo do atual governo não lhes chama a atenção? Realmente não vêem a perseguição a quem pensa diferente, escancarada na gestão atual? A construção de grupos humanos como inimigos - tal como fazem Lula, Amorim, Vieira e outros - não é suficientemente clara? A oposição frontal ao Sionismo e o silêncio sobre o terror massacrante do Hamas não lhes desperta qualquer reflexão?

Justiça Social, proteção aos desfavorecidos, luta pelos direitos humanos, patriotismo e soberania nacional são valores de qualquer democrata e não exclusividade da esquerda. Aliás, a história mostra diversos regimes de esquerda que se afastaram destes princípios - vide Coréia do Norte, Cuba, Nicarágua, Venezuela onde direitos humanos são ignorados, os pobres não têm voz e onde a democracia não está presente.

Estes Judeus e Judias têm o direito de apoiar quem quiserem - tal como qualquer outro Brasileiro. Mas não podem se arvorar em ser a voz da Comunidade, onde são inegavelmente uma minoria.

Nós, Judeus que não somos cegos, vemos o aumento brutal do antissemitismo durante o governo Lula. Vemos também a presença de Alckmin na posse do presidente do Irã sentado ao lado de quatro dos maiores terroristas de nosso século, líderes do Hamas, Jihad Islâmica, Houtis e Hezbollah. Lemos as contínuas condenações de Lula e do Itamaraty às ações de Israel e o avassalador silêncio a respeito de atos terroristas do Hamas, Jihad Islâmica, Houtis e Hezbollah - os “vizinhos” de Alckmin em Teerã. Ferem nosso âmago palavras ofensivas aos Judeus como do próprio Lula, que co.parou a guerra ao terror com.o Holocausto, de Genoino sugerindo boicotar empresas de judeus, Vieira que fala em “genocidio” e outros.

A cegueira moral torna os assinantes de tal manifesto insensíveis aos ataques à Comunidade e ao Estado de Israel; desumaniza as vítimas israelenses do terror, coloca em risco os Judeus Brasileiros e suas instituições. Trata-se de cegueira funcional: a pessoa não consegue abrir os olhos para a realidade e vê apenas o que seu pensamento julga ser a realidade. Infelizmente a oftalmologia não pode curar esta doença!

*Marcos L Susskind, brasileiro residente em Israel. Palestrante sobre o Oriente Médio, escreve para jornais no Brasil e México e para revistas nos USA e em Israel.

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