Creches param e afetam 1,2 mil crianças em Paulínia (SP)

Educadoras reivindicam salários equivalentes aos de outras professoras da rede e contestam propostas enviadas à Câmara Municipal

Creches param e afetam 1,2 mil crianças em Paulínia (SP)
Foto: Reprodução Redes Sociais
Creches param e afetam 1,2 mil crianças em Paulínia (SP)

Educadoras infantis da rede municipal de Paulínia, no interior de São Paulo, paralisaram as atividades  nesta quinta-feira (27) em uma mobilização por melhorias na carreira e, principalmente, pela equiparação salarial com as demais professoras da rede. O movimento afetou cerca de 1,2 mil crianças atendidas pelas creches municipais.

A paralisação ocorre no Paço Municipal e é apoiada pelo Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal de Paulínia (STSPMP) e pelo movimento Somos Todas Professoras de Paulínia. Algumas unidades amanheceram com avisos nos portões informando as famílias sobre a suspensão das atividades.

Aviso de paralisação
Foto: Reprodução Redes Sociais
Aviso de paralisação

Segundo a Prefeitura, a rede municipal tem 1.836 crianças matriculadas nas creches, das quais 1.200 foram afetadas pelo movimento.

Educadoras cobram equiparação

A principal reivindicação da categoria é a equiparação dos salários aos das demais professoras da rede municipal.

Segundo o sindicato, as profissionais tiveram uma redução salarial de aproximadamente 35% desde o ano passado. A entidade afirma que existe uma legislação que garante às educadoras os mesmos direitos e vencimentos das demais professoras e cobra o cumprimento da medida.

As profissionais pedem o retorno da remuneração média de cerca de R$ 10,5 mil, valor que, segundo a categoria, era praticado antes de mudanças provocadas por uma decisão judicial em 2025.

O sindicato também contesta três projetos de lei enviados pela Prefeitura à Câmara Municipal. Para a entidade, os textos não resolvem a questão salarial e ainda deixam dúvidas sobre pontos como progressão na carreira, jornada de trabalho e regras para profissionais afastadas das salas de aula.

Por isso, as representantes pedem a retirada dos projetos.

Impasse começou após decisão judicial

A Prefeitura afirma que a situação atual da carreira das educadoras é consequência de mudanças na legislação e de uma decisão judicial.

Segundo o município, em 2025 foi necessário cumprir uma decisão relacionada a uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) que atingiu a legislação municipal vigente na época.

Depois disso, a administração diz ter iniciado negociações com o sindicato e com o movimento que representa as educadoras.

De acordo com a Prefeitura, algumas reivindicações foram atendidas durante as tratativas. Entre os avanços citados estão a regulamentação de um terço da jornada para atividades pedagógicas sem a presença dos alunos, a mudança do nome do cargo para professoras de educação infantil e a inclusão das profissionais na mesma estrutura de carreira e tabela do magistério dos professores PEB.

O município também afirma ter garantido direitos como remoção e recesso escolar.

Salário é o principal ponto de divergência

Apesar dos avanços apontados pela administração, a questão financeira continua sendo o principal obstáculo para um acordo.

A Prefeitura afirma que a remuneração média atual das profissionais é de aproximadamente R$ 8,5 mil, sem contar benefícios. O município ressalta que o valor está acima do piso nacional, atualmente em R$ 5.130.

A categoria, por outro lado, defende a retomada da média salarial de R$ 10,5 mil.

A administração municipal afirma que as discussões sobre o reajuste foram temporariamente suspensas por causa dos limites orçamentários e das regras de responsabilidade fiscal. Segundo a Prefeitura, o assunto não foi encerrado e as negociações deverão ser retomadas.

Paralisação afeta rotina das famílias

Com a suspensão das atividades, famílias precisaram reorganizar a rotina para cuidar das crianças que não puderam permanecer nas creches.

A Prefeitura lamentou os impactos provocados pela paralisação e informou que as servidoras que aderiram ao movimento poderão ter o dia descontado do salário, conforme a legislação.

O município também afirmou que os três projetos enviados à Câmara são necessários para organizar a estrutura da rede municipal para o ano letivo de 2027.


Movimento deve ser avaliado pela categoria

Segundo o sindicato, após a paralisação, as educadoras devem avaliar os próximos passos e decidir se as atividades serão retomadas ou se a mobilização continuará.

A Prefeitura afirmou que pretende retomar o diálogo com o sindicato e com o movimento Somos Todas Professoras de Paulínia para discutir a questão salarial dentro das possibilidades legais e orçamentárias do município.