
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) confirmou, nesta quinta-feira (27), a morte de Evellyn Jasmin Machado Acacio, que tinha 8 anos quando foi sequestrada em junho de 2023, em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte . A menina estava com a mãe, Katlyn Oliveira, em um salão de beleza quando as duas foram vítimas de uma emboscada. As informações são do Estado de Minas.
O inquérito, que levou três anos para ser concluído, apontou quatro pessoas como responsáveis pelo crime. Entre os indiciados está o pai de Evellyn, Sildirley Silva Acacio Machado, apontado pela investigação como mandante. Os outros três envolvidos são uma mulher, proprietária do veículo usado na ação, e dois homens que teriam participado da execução do sequestro e dos assassinatos.
Pai é apontado como mandante
De acordo com o delegado Murillo Ribeiro de Lima, responsável pela investigação, Sildirley teria planejado o sequestro da ex-mulher com o objetivo de agredi-la e deixá-la cega.
A motivação, segundo a polícia, estaria relacionada a publicações feitas por Katlyn nas redes sociais. Nas postagens, ela responsabilizava o ex-marido pela morte de seu atual companheiro, ocorrida em 2022.
Ainda conforme a investigação, Sildirley acreditava que, caso Katlyn ficasse cega, deixaria de fazer denúncias contra ele na internet.
A apuração também apontou que, meses antes do crime, o homem teria ordenado agressões contra a ex-companheira. Segundo a polícia, ele já havia determinado que ela tivesse as pernas quebradas e fosse estuprada.
Como ocorreu o sequestro
O crime aconteceu em 21 de junho de 2023. Dois homens foram até um salão de beleza no bairro General Carneiro, em Sabará, onde Katlyn estava com a filha.
A cabeleireira Ana Raquel Brito, amiga de Katlyn e proprietária do estabelecimento, tentou impedir o sequestro. Ela foi morta com um golpe de martelo na cabeça.
O corpo de Ana Raquel foi localizado dois dias depois, dentro de um carro abandonado às margens da BR-040, próximo ao bairro Morada Nova, em Contagem (MG) . O veículo pertencia a uma mulher que acabou sendo indiciada pela participação no crime.
Após matarem a cabeleireira, os criminosos deixaram o local levando Katlyn e Evellyn.
Mãe tentou fugir antes de ser morta
Durante o trajeto, Katlyn conseguiu pular do veículo na tentativa de escapar. Ela foi perseguida pelos criminosos e acabou assassinada.
Militares localizaram o corpo da mulher no bairro Nações Unidas. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que ela aparece correndo pela rua antes de ser alcançada pelo veículo usado pelos suspeitos.
Enquanto isso, Evellyn foi levada para um sítio na região de Ravena, distrito de Sabará, onde permaneceu em cativeiro durante parte do dia.
Evellyn foi morta após ser levada para área de mata
Segundo a investigação, os criminosos decidiram matar Evellyn depois de não conseguirem contato com o pai da menina.
A polícia aponta que os envolvidos também temiam que a criança os reconhecesse caso fosse libertada. Evellyn conhecia os suspeitos.
A menina foi levada para uma área de mata, onde teria sido assassinada. Depois, o corpo foi ocultado.
Um dos investigados confessou o crime e indicou aos policiais o local onde o corpo teria sido deixado. Em julho de 2026, a Polícia Civil realizou buscas na região, mas não conseguiu localizar os restos mortais da criança.
Quatro pessoas foram indiciadas
Ao final das investigações, quatro pessoas foram indiciadas.
Sildirley Silva Acacio Machado, pai de Evellyn, foi apontado como mandante do crime. Uma mulher, que seria amante dele e proprietária do carro utilizado na ação, também foi indiciada.
Outros dois homens foram apontados como participantes da execução do sequestro e dos assassinatos.
Um deles, que segundo a investigação teria participado diretamente da morte de Evellyn, morreu em setembro de 2024 dentro do sistema prisional. Com isso, apesar de ter sido indiciado, ele não responderá judicialmente pelo crime em razão da morte.
Celular foi encontrado na cela do pai
Sildirley já estava preso em uma unidade de segurança máxima quando o crime aconteceu. Um dia após o sequestro de Katlyn e Evellyn, agentes penitenciários encontraram um celular dentro da cela onde ele estava, na Penitenciária de Francisco de Sá, no Norte de Minas .
A descoberta passou a integrar as investigações sobre o planejamento do crime. Nesta quinta-feira (27) a Polícia Civil confirmou a conclusão do inquérito e confirmou a morte da menina.