
Quem passou por algumas regiões da cidade de Campinas, em São Paulo, usando o Waze nos últimos dias pode ter estranhado uma cena incomum no mapa : uma sequência de ícones que representam um “ladrão” aparecia em determinados pontos da cidade.
Na região do Taquaral e nas proximidades da Avenida José de Souza Campos, a Norte-Sul, motoristas identificaram vários alertas concentrados em locais que também tinham grande quantidade de propaganda eleitoral.
O que parecia, inicialmente, uma série de avisos sobre possíveis roubos acabou tendo outra explicação. Usuários passaram a utilizar a ferramenta de segurança do aplicativo para marcar pontos onde havia materiais de campanha.
A prática ganhou repercussão nas redes sociais e levou o Waze a desabilitar temporariamente o recurso de alerta de segurança no Brasil. Segundo a plataforma, os registros eram falsos e contrariavam as políticas de uso do aplicativo.
Ícone chamava atenção dos motoristas
O recurso de “insegurança” começou a ser disponibilizado pelo Waze em 2025 e foi criado para permitir que usuários avisassem outros motoristas sobre áreas onde não se sentiam seguros.
O alerta é representado por um personagem com aparência de ladrão e pode aparecer no mapa para outros motoristas que passam pela região. A ferramenta funciona de maneira colaborativa, assim como outros avisos do aplicativo.
A proposta original era ajudar quem está dirigindo a ficar mais atento em determinados trechos, especialmente em situações relacionadas a roubos, furtos e vandalismo.
Campinas teve concentração de alertas
Em Campinas, a sequência de símbolos chamou atenção especialmente em uma área próxima ao Viaduto Laurão, na região de encontro das avenidas Moraes Salles, José de Souza Campos, a Norte-Sul, e Princesa D’Oeste com a Rua General Marcondes Salgado.
O local também tinha concentração de materiais de propaganda eleitoral.
Nas redes sociais, imagens semelhantes começaram a circular de outras cidades brasileiras. A ferramenta passou a ser utilizada por alguns internautas como uma forma de protesto ou ironia diante da presença de materiais de campanha em espaços públicos.

É importante ressaltar, porém, que os ícones exibidos no Waze não representam registros oficiais de ocorrências policiais. Nesse caso, a associação com a propaganda eleitoral surgiu a partir da maneira como os próprios usuários utilizaram a ferramenta.
Recurso foi usado fora da finalidade
A ferramenta deveria ser utilizada para indicar situações reais de insegurança percebidas pelos motoristas. O próprio Waze orienta que os usuários enviem alertas sobre incidentes que estejam presenciando.
Com o início da propaganda eleitoral nas ruas, em 16 de agosto, alguns usuários passaram a recorrer ao botão de “insegurança” para sinalizar locais com materiais de campanha. A propaganda eleitoral das eleições de 2026 foi liberada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) justamente nessa data.
Os registros apareciam para outros usuários como alertas de segurança, criando a impressão de que havia algum tipo de risco no local.
Waze suspendeu a função no Brasil
Diante do uso considerado irregular, o Waze decidiu retirar temporariamente do aplicativo brasileiro a possibilidade de reportar incidentes relacionados à segurança.
Em nota, a empresa afirmou que identificou usuários enviando alertas falsos, prática que contraria as políticas da plataforma. O Waze não informou uma data para o retorno da funcionalidade.
A suspensão é específica para esse recurso. Outros tipos de alertas colaborativos do aplicativo continuam disponíveis aos motoristas.
A plataforma também possui regras para combater informações falsas ou incorretas publicadas pelos usuários, já que os avisos são compartilhados com outras pessoas que utilizam o aplicativo durante seus deslocamentos.
O iG procurou o Waze para saber mais detalhes sobre a decisão e questionar a falha na segurança da plataforma. Confira a nota na íntegra.