Delegada investigada por ceder viatura ao marido volta ao serviço

Wanessa Santana Martins Vieira retomou as atividades com ajustamento funcional; processo disciplinar continua em andamento

Delegada Wanessa Santana Martins Vieira e o marido Renan Rachid
Foto: Reprodução / Redes Sociais
Delegada Wanessa Santana Martins Vieira e o marido Renan Rachid

A delegada Wanessa Santana Martins Vieira, investigada por suspeita de peculato após uma viatura descaracterizada da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) ser utilizada pelo marido, voltou às atividades funcionais no dia 19 de agosto. A informação foi publicada no Diário Oficial do Estado e confirmada pela própria corporação ao iG .

🔍 Peculato é um crime previsto no Código Penal brasileiro (art. 312) e ocorre quando um funcionário público se apropria ou desvia dinheiro, valor ou outro bem que esteja sob sua posse ou administração por causa do cargo.

De acordo com a publicação oficial, Wanessa aparece na lista de servidores em expediente com a indicação de “120 dias a partir de 19/08/26, em prorrogação”.

A PCMG informou que o retorno ocorreu por meio de ajustamento funcional, medida que adapta temporariamente ou permanentemente as atribuições, responsabilidades ou lotação de um servidor de acordo com sua capacidade laboral.

O que é o ajustamento funcional

Segundo a Polícia Civil, a medida foi definida pela Diretoria de Perícias da corporação pelo período de 120 dias. O ajustamento não significa o encerramento da investigação de peculato.

O processo administrativo disciplinar continua em tramitação na Corregedoria-Geral da Polícia Civil . A corporação informou ainda que os detalhes do procedimento são mantidos sob sigilo, conforme a legislação aplicável.

Relembre o caso da viatura

O caso veio à tona em março deste ano, quando o advogado Renan Rachid Silva Vieira, marido da delegada, foi preso em flagrante enquanto dirigia uma viatura descaracterizada da Polícia Civil.

A abordagem ocorreu no dia 10 de março, durante uma blitz na avenida Antônio Carlos, em Belo Horizonte . Segundo as informações que constaram no processo analisado pela Justiça, o veículo estava sob responsabilidade de Wanessa.

A investigação apontava que a viatura vinha sendo utilizada em deslocamentos frequentes entre Belo Horizonte e Lagoa Santa (MG) e que o advogado foi encontrado conduzindo o veículo oficial sem a presença de um policial.

Na ocasião, a delegada e o marido foram presos em flagrante sob suspeita de peculato, crime relacionado à apropriação ou utilização indevida de bens públicos.

Justiça concedeu liberdade provisória ao casal

Em março, a juíza Juliana Beretta Kirche Ferreira Pinto, da Secretaria de Audiências de Custódia de Belo Horizonte (Secac-BH), homologou o flagrante, mas concedeu liberdade provisória aos dois.

Na decisão, a magistrada considerou, entre outros pontos, que os investigados eram primários e que o caso não envolvia violência ou grave ameaça.

A liberdade foi condicionada ao pagamento de fiança de R$ 5,6 mil para cada um, além do cumprimento de medidas cautelares. Entre as determinações estavam a obrigação de manter o endereço atualizado, comparecer aos atos do inquérito e de eventual ação penal e não permanecer fora das comarcas de Belo Horizonte e Lagoa Santa (MG) por mais de 30 dias sem autorização judicial.

As informações sobre a decisão foram divulgadas pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) à época.


O processo administrativo disciplinar instaurado pela Polícia Civil continua em andamento.