
O empresário e dono do Banco Master, Daniel Vorcaro , estava com depoimeto marcado na Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (27), para às 10h, mas foi adiada devido problemas na conexão da internet. A oitiva ia acontecer por videoconferência da Papudinha, setor anexo ao Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, onde Vorcaro está preso preventivamente por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). A PF remarcou para esta sexta (28).
Diferente de outras ocasiões como essa em que permaneceu em silêncio, o empresário anunciou à equipe policial que vai responder todas as perguntas. O interrogatório estreia formalmente a atuação do novo advogado de Daniel Vorcaro, o criminalista Daniel Bialski, que está na linha de frente da defesa do ex-banqueiro.
O advogado passa a atuar ao lado de Sérgio Leonardo, que integra a defesa do empresário desde o início do processo envolvendo o Caso Master . Agora a missão é reabrir e avançar nas negociações para um acordo de delação premiada com a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR).
Foco do depoimento
O ponto central da oitiva está nas investigações da Operação Compliance Zero, que verifica uma suposta associação de dois ex-servidores do Ban co Central (BC): Belline Santana que é ex-chefe do Departamento de Supervisão de Bancos e o ex-diretor de Fiscalização, Paulo Sérgio Souza .
A PF indica indícios de que os dois receberam vantagens indevidas a fim de repasses de informações sigilosas, orientações de reuniões institucionais e visão de documentos que eram de interesse do Banco Master.

A defesa de Vorcaro rebate as incriminações de corrupção ativa e passiva . Segundo interlocutores de Daniel Vorcaro, ele pretende esclarecer que os contatos que teve com os funcionários do BC eram estritamente institucionais e que não gerou favorecimento para o Banco Master e nem benefício financeiro para os servidores.
Mudança para a Papudinha
O empresário foi transferido para a Papudinha por determinação do ministro André Mendonça , relator do inquérito no STF, atendendo pedido da própria PF e aprovado pela PGR. Indício de crimes no sistema financeiro foram apontados pelas autoridades que vão de lavagem de dinheiro, ocultação de bens patrimoniais a constituir organização criminosa.
O caso ganhou maiores proporções com a liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, em novembro de 2025. Sobre o suposto repasse de dados sigilosos pelos servidores públicos, a PF apurou que houve ação de uma espécie de milícia digital, voltada para proteger a imagem do grupo e paralelamente, atacar figuras da fiscalização do BC.
A partir deste depoimento de hoje, a PF deve juntar mais elementos comprobatórios e assim, definir novos passos dentro das linhas de investigações e avaliar ainda, a possibilidade ou não de uma nova delação premiada .