
A filha do urbanista de Brasília , Lucio Costa, faleceu na noite desta terça-feira (25), aos 91 anos, no Distrito Federal. Maria Elisa Costa seguiu os passos do pai e também era urbanista e arquitet a. O falecimento foi confirmado por meio de comunicado da sua filha Julieta e as netas Clara, Julia e Sofia. A causa da morte e informações sobre sepultamento ainda não foram divulgados.
Maria Elisa nasceu no Rio de Janeiro em outubro de 1934. Ela mudou para Brasília em 1959, logo após se formar pela Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil - atual UFRJ -, mas sempre manteve vínculo ao estado fluminense. A filha de Lucio Costa participou da consolidação do projeto da capital federal .
Assim que mudou para a cidade que seria a nova capital do Brasil , Maria Elisa passou a integrar a equipe da ingressou de urbanismo da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), acompanhando de camarote a cidade traçada pelo seu pai.
Relação íntima com Brasília
Sua trajetória pessoal se confunde com os primeiros passos da mudança da capital federal para o Centro-Oeste . Segundo os registros públicos, Maria Elisa foi quem entregou o projeto do Plano Piloto no Ministério da Educação e Saúde (MEC) da época para participar do concurso em 11 de março de 1957.
Por mais de 60 anos de carreira, a profissional atuou em escritórios de planejamento urbano em território nacional e na França. Trabalhou como assessora da Secretaria de Viação e Obras do Governo do Distrito Federal de 1986 e 1987, fazendo parte do Conselho de Arquitetura, Urbanismo e Meio Ambiente (CAUMA) até 1992.
Além disso, ela participou da Comissão Especial de Brasília do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e compôs o Conselho Técnico de Preservação de Brasília (CTPB). De 2003 a 2004 foi presidente nacional do Iphan e comandou a Associação Casa de Lucio Costa, no Rio de Janeiro.

Defesa pelo projeto original da capital federal
Maria Elisa se dedicou a conservar o traçado original da cidade, principalmente do Plano Piloto, primeira região urbana planejada por seu pai. O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) se manifestou sobre a morte:
O Governo do Distrito Federal (GDF) decretou oficialmente três dias de luto. O Palácio do Buriti emitiu nota e destacou a relevância da profissional no conjunto urbanístico de Brasília e prestou solidariedade à família.
A atuação constante de Maria Elisa na proteção e fiscalização das características urbanísticas da cidade garantiu que o projeto original fosse mantido, recebendo ainda o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, concedido em 1987 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).