
A corrida eleitoral não mostra apenas propostas dos candidatos ao pleito no Brasil e porcentagens de aderência do eleitorado com base em pesquisas. Um cenário de alerta se descortina neste pleito quanto à presença de mulheres no Congresso Nacional . Concorrendo às vagas no Legislativo federal em 2026, a representação feminina registra retração expressiva após período de crescimento escalar.
Esse encolhimento é impulsionado, principalmente, pela queda acentuada de 24% nas candidaturas para a Câmara dos Deputados neste ano em relação a 2022. A queda freia a evolução contínua das últimas décadas, contrastando diretamente com o eleitorado Tupiniquim que é formado por 52% de mulheres.
Estagnação em índices reduzidos nas disputas para o Senado
Se na Câmara a participação diminuiu, o cenário no Senado Federal é de números modestos e paralisados. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e da própria Casa mostram que das 315 candidaturas oficializadas para as 54 vagas em disputa em 2026, apenas 69 são de mulheres, equivalente a 22% do total de concorrentes.

A taca fica praticamente no mesmo nível das eleições de 2022 que contabilizou 22,5% de representação feminina, quando estiveram em jogo 27 cadeiras. Comparando ainda a 2018, última eleição que renovou dois terços do Senado, registrou-se um leve avanço com relação a 2026: neste pleito a presença das mulheres no pleito foi de 18%.
Nesse cenário, a presença feminina na disputa majoritária ao Senado segue inferior a média geral de candidados no Brasil (35%) e distante da igualdade de gênero.
Gargalos estruturais
O recuo no patamar federal desperta atenção por ocontecer num momento que há mais fiscalização quanto ao cumprimento das regras de cotas de gênero e financiamento partidário.
Segundo levantamento do Instituto Esfera, divulgado pela Agência Câmara, entre 1998 e 2022 o montante de candidatas à Câmara cresceu 925%.
O quantitativo de deputadas federais eleitas também apresentou aumento discreto nesses 24 anos, subindo 210% no mesmo período, mostrando que o caminho percorrido entre o registro da candidatura e a chegada ao gabinete continua vinculado à divisão interna de recursos e acesso à alianças partidárias estratégicas.
Outro ponto levantado é que a rotina partidária junto com a sobrecarga das tarefas diárias na vida pessoal surgem também como travas essenciais para a efetivação das candidaturas femininas no ambiente político.
O cenário se mostra uniforme quanto a pouca representação feminina nas eleições marjoritárias à Presidência da República e nos estados que, registram até então, somente 34 mulheres concorrendo a cargos ao governo em um universo de 198 candidatos totais, quatro a menos do que nas eleições de 2022.