Zema promete privatizações, anistia e trabalho por hora

Em entrevista da TV Globo, o candidato do Partido Novo prometeu corrigir o salário mínimo pela inflação e defendeu superpresídio

Romeu Zema em entrevista aos jornalistas César Tralli e Renata Vasconcellos
Foto: Reprodução/X
Romeu Zema em entrevista aos jornalistas César Tralli e Renata Vasconcellos

O candidato à Presidência Romeu Zema (Novo)  prometeu privatizar estatais federais, ampliar a contratação de trabalhadores por hora e conceder anistia a condenados pelos atos de 8 de Janeiro caso seja eleito. As declarações foram dadas nesta segunda-feira (24), durante entrevista da TV Globo exibida ao vivo após o "Jornal Nacional".

A entrevista abriu a série da emissora com candidatos à Presidência e foi conduzida pelos jornalistas César Tralli e Renata Vasconcellos, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. Durante a sabatina, Zema também falou sobre salário mínimo, Previdência, dívida de Minas Gerais, vacinação, segurança pública e o aumento dos salários do primeiro escalão de seu governo.

Privatizações

Ao falar sobre economia, Zema afirmou que pretende privatizar empresas controladas pelo Governo Federal. Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal foram citados pelo candidato durante a entrevista.

As empresas brasileiras hoje estão subavaliadas porque têm uma gestão muito ruim.
Em entrevista à TV Globo

Zema disse que pretende levar para o Governo Federal uma política de venda de ativos e participações em empresas. Questionado sobre as dificuldades para avançar com privatizações quando governava Minas Gerais, afirmou que parte das operações depende de negociação política e aprovação legislativa.

Salário mínimo

Zema também foi questionado sobre a política de valorização do salário mínimo.

O candidato não prometeu aumento acima da inflação, mas afirmou que garantiria a reposição da alta dos preços durante um eventual governo.

Eu garanto que ninguém vai ter perda. Se tiver inflação, nós daremos toda a inflação.
Em entrevista à TV Globo

Ele também respondeu sobre os pisos de gastos federais com Saúde e Educação e afirmou que manteria inicialmente as regras atuais, embora defenda uma discussão sobre o modelo.

Trabalho por hora

Outro tema abordado pela TV Globo foi a legislação trabalhista.

Zema defendeu a possibilidade de ampliar contratos nos quais o pagamento seja calculado pelas horas efetivamente trabalhadas. Segundo o candidato, a modalidade poderia permitir a formalização de pessoas que atualmente trabalham sem registro.

Ele afirmou que pretende tornar as relações de trabalho mais flexíveis e criar outras possibilidades de contratação além dos modelos existentes.

Previdência

Questionado sobre uma eventual nova reforma da Previdência, Zema disse que não pretende aumentar imediatamente a idade mínima para aposentadoria.

O candidato defendeu, porém, que as regras sejam alteradas ao longo dos anos para acompanhar o aumento da expectativa de vida da população.

Segundo Zema, mudanças futuras seriam necessárias para preservar as contas da Previdência.

Dívida de Minas

A situação financeira de Minas Gerais também ocupou parte da entrevista.

Tralli e Renata questionaram Zema sobre o aumento da dívida do estado durante os dois mandatos dele como governador e perguntaram como o candidato pretende administrar as contas do país caso chegue à Presidência.

Zema afirmou que não contratou novos empréstimos durante sua gestão e atribuiu o crescimento do débito principalmente à incidência de juros sobre uma dívida acumulada anteriormente.

O candidato também citou os resultados fiscais de Minas para defender sua administração.

Eu assumi com um déficit de R$ 11 bilhões em 2018. Eu saí com superávit de R$ 5 bilhões.
Em entrevista à TV Globo

Zema afirmou ainda que sua gestão regularizou pagamentos a servidores, fornecedores e municípios.

Anistia pelo 8 de Janeiro

Os atos de 8 de janeiro de 2023 também entraram na entrevista.

Zema voltou a negar que a invasão e a depredação das sedes dos Três Poderes tenham configurado uma tentativa de golpe de Estado e defendeu anistia para condenados pelos episódios.

Não existe na história da humanidade uma tentativa de golpe que tenha sido um movimento de vandalismo como aquele que aconteceu em janeiro de 2023.
Em entrevista à TV Globo

Questionado sobre o que faria caso chegasse à Presidência, Zema respondeu:

“Eu darei anistia ou, no mínimo, um tribunal que não seja político, que seja judicial.”

O candidato também criticou a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) nos julgamentos relacionados aos episódios.

Superpresídio para líderes de facções

Na área de segurança pública, Zema defendeu a construção de um “superpresídio” na Região Norte do país.

Segundo ele, a unidade seria destinada aos principais líderes de facções criminosas.

O candidato não apresentou, durante a entrevista, detalhes como cidade, capacidade, prazo de construção ou custo da unidade.

Vacinação

Zema também foi questionado sobre vacinação.

O candidato afirmou que tomou as doses disponibilizadas contra a Covid-19, mas se posicionou contra punições a famílias que decidam não se vacinar.

Transformar isso em um crime não é o que pode acontecer em um país democrático.
Em entrevista à TV Globo

Zema defendeu que a decisão permaneça sob responsabilidade de cada pessoa ou família.

Aumento de salários no governo de Minas

Outro ponto levantado pelos entrevistadores foi o reajuste de até 300% nos salários do governador, do vice-governador e de secretários de Minas Gerais durante a gestão de Zema.

O candidato defendeu a decisão e afirmou que os valores pagos anteriormente dificultavam a contratação de profissionais para o primeiro escalão do governo.

“Ninguém queria ir trabalhar no governo de Minas. É como se um sargento da Polícia Militar recebesse mais que um coronel. Ninguém quer ser coronel”, disse.

Questionado sobre o próprio salário, Zema afirmou que doava os valores recebidos como governador.

Primeiro, eu não recebi nenhum aumento porque sempre fui um governador voluntário, tudo que eu recebi eu doei.
Em entrevista à TV Globo

Segundo o candidato, os recursos foram destinados às Apaes de Minas Gerais.