Eleições 2026: ausências de Lula, Flávio e Zema dominam debate

Renan Santos, Ronaldo Caiado e Augusto Cury criticaram os ausentes e discutiram segurança, trabalho, educação e economia no debate da TV Band

Debate presidencial da TV Band
Foto: Reprodução/Youtube/Band
Debate presidencial da TV Band

O primeiro debate entre candidatos à Presidência nas eleições de 2026 terminou neste domingo (23) com metade dos convidados fora do estúdio e três púlpitos vazios atravessando boa parte da discussão. Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) não participaram. Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) estiveram no palco.

As ausências foram lembradas desde as primeiras respostas até a reta final e acabaram provocando um debate dentro do próprio debate: Caiado defendeu que candidatos sejam obrigados por lei a participar desses encontros, proposta apoiada por Renan. O próximo confronto presidencial previsto no calendário ocorre em 14 de setembro, em um pool formado por CNN Brasil, SBT e Veja.

A Band havia convidado seis candidatos. Na abertura do programa, a apresentadora Adriana Araújo informou que Lula, Flávio e Zema tiveram representantes nas reuniões preparatórias, mas decidiram não comparecer. As bancadas reservadas aos três permaneceram vazias durante a transmissão, conforme havia sido acertado previamente com as campanhas.

Lula e Flávio, primeiro e segundo colocados na pesquisa Datafolha divulgada nesta semana,  receberam a maior parte das críticas. O levantamento mostrou o petista com 39% das intenções de voto e o candidato do PL com 33%.

Segundo informações divulgadas antes do debate, Lula alegou falta de igualdade nas condições definidas para o encontro. Flávio optou por não participar sem a presença do presidente. Zema afirmou que a mudança da data do debate havia sido feita para favorecer a participação de Lula e que, com a ausência do petista, a alteração perdeu a razão.

Augusto Cury quase aumentou a lista de ausentes. Pouco antes do início, ele anunciou do lado de fora da emissora que não participaria em protesto contra a falta de Lula e Flávio. Minutos depois, recuou e entrou no estúdio.

Cadeiras vazias entram no confronto

A ausência dos adversários apareceu logo nas primeiras respostas.

Questionado sobre segurança pública, Renan Santos deixou o tema da pergunta por alguns segundos para atacar Lula e Flávio. Chamou os dois de “covardes” por não terem comparecido e fez acusações relacionadas a casos que envolvem pessoas próximas aos candidatos.

Renan Santos
Foto: Reprodução/Youtube/Band
Renan Santos

Caiado também abriu sua primeira resposta cobrando os ausentes. Disse que a sociedade esperava a presença dos candidatos e classificou a decisão como uma “fuga”. Antes mesmo de entrar no estúdio, já havia chamado os adversários que faltariam de “fujões”.

Cury seguiu o mesmo caminho. Ao receber uma pergunta sobre educação, olhou para a câmera e se dirigiu diretamente ao presidente.

Lula da Silva, você tinha que estar aqui.

A cobrança voltou em outro momento. Durante uma discussão sobre a escala de trabalho 6x1, Cury citou a entrevista concedida pelo presidente à Record, exibida no mesmo horário do debate, e chamou a situação de “desrespeito com a democracia”.

Houve até uma tentativa de Renan de incluir um ausente em um confronto direto.

Quando recebeu o direito de escolher um adversário para fazer uma pergunta, respondeu: “Pro candidato Lula”. A apresentadora interveio e explicou que o confronto precisava ocorrer com alguém presente no estúdio. Renan então direcionou a pergunta a Augusto Cury.

Mais tarde, foi Caiado quem transformou as faltas em proposta.

Ao perguntar a Renan, o candidato do PSD disse que pretende enviar ao Congresso, caso seja eleito, uma regra para obrigar candidatos registrados a comparecerem a debates eleitorais. Renan apoiou e disse que parlamentares dos dois partidos poderiam começar a discutir a proposta antes mesmo da eleição.

Segurança ganha espaço e Renan fala em “banho de sangue”

Fora das cobranças aos ausentes, segurança pública foi um dos assuntos mais presentes na noite.

Renan Santos defendeu  estado de defesa e operações de Garantia da Lei e da Ordem em áreas controladas por organizações criminosas. Também falou em construir superpresídios e intervir em estados que, segundo ele, não atuarem contra as facções.

Mais tarde, endureceu o discurso.

Ao falar sobre o que faria no início de um eventual governo, Renan declarou que promoveria um “banho de sangue contra os membros das facções”. Disse que forças federais e estaduais seriam usadas para retomar áreas controladas pelo crime no Rio de Janeiro, Ceará e Bahia.

Isso se inicia no dia um do nosso mandato.

Em outra frase, disse que policiais atuariam “como se não houvesse amanhã” contra criminosos que reagissem às operações. As declarações também foram registradas após o debate.

Foto: Reprodução/Youtube/Band
Ronaldo Caiado

Caiado tratou do mesmo assunto em diferentes momentos. Disse que o Brasil vive um “clima de guerra” e defendeu integração das forças policiais, uso de inteligência artificial e maior participação do governo federal no combate às facções.

O candidato do PSD também voltou a  defender a construção de 40 presídios federais. Questionado sobre o número, argumentou que integrantes de facções cumprem pena em estruturas estaduais e que o governo federal precisa assumir parte maior dessa responsabilidade.

Cury defendeu reforçar a Polícia Federal e integrar as diferentes forças de segurança. Resumiu sua posição com uma frase repetida durante o confronto:

Pior do que o crime organizado é o Estado desorganizado.

Cury critica tom de Renan

O confronto mais direto entre os candidatos presentes ocorreu entre Renan Santos e Augusto Cury.

Renan perguntou por que parte do eleitorado continua apoiando Lula e, durante a réplica, afirmou que não queria o voto de determinados eleitores do petista.

Cury reagiu.

Você tem um nível de agressividade que me assombra.


Cury disse que divergências fazem parte da democracia, mas criticou ataques pessoais a eleitores.

Foto: Reprodução/Youtube/Band
Augusto Cury

A troca exemplificou uma diferença que apareceu novamente ao longo do programa. Renan fez ataques mais duros a Lula e Flávio e usou expressões ofensivas contra adversários. Cury, embora também tenha criticado os ausentes, cobrou redução dos ataques pessoais.

Escala 6x1, mulheres e economia também entram no debate

Questionado sobre a proposta de  fim da escala 6x1, Renan se posicionou contra a mudança. Disse que a redução obrigatória da jornada aumentaria custos e poderia levar empresas a cortar vagas. Em vez disso, defendeu uma nova reforma trabalhista e contratos com pagamento por hora.

Cury discordou parcialmente. Disse que muitos trabalhadores sofrem com esgotamento profissional e defendeu ajustes que conciliem as condições dos empregados com as necessidades de diferentes setores da economia.

violência contra as mulheres entrou no primeiro confronto direto entre Cury e Caiado. Cury citou feminicídios e diferença salarial. Caiado respondeu defendendo tornozeleiras eletrônicas para agressores e propôs o confisco de patrimônio de condenados por violência contra mulheres, com transferência dos bens para a vítima ou sua família.

Na economia, Caiado prometeu conter despesas, reduzir juros e buscar inflação menor. Cury tratou de relações comerciais com Estados Unidos e China, além de defender maior produção agrícola. Renan voltou suas críticas ao governo federal e defendeu medidas para aumentar a competitividade das empresas.

Educação também ocupou parte dos confrontos. Os três candidatos defenderam mudanças no ensino básico ou técnico, com propostas diferentes para metas escolares, formação profissional e preparação dos estudantes para o mercado de trabalho.

Corrupção apareceu na parte final. Questionado por Renan sobre o Banco Master,  Cury disse que pretende propor tratamento mais duro para crimes de corrupção, com prazo de até seis meses para julgamento.

Ao fim de pouco mais de uma hora de confronto, porém, os três espaços vazios continuavam no cenário. Caiado voltou às ausências nas considerações finais. Renan também encerrou sua participação atacando Lula e Flávio. Cury preferiu pedir uma campanha sem agressividade.