Feminicídios caem 3,2% entre janeiro e julho de 2026 no Brasil

Três regiões registraram queda, enquanto Sul e Centro-Oeste tiveram alta nos casos; 2025 foi o pior ano da série histórica, com 876 casos

Dados do Monitoramento Nacional da Violência Contra a Mulher foram divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP)
Foto: Foto: Marcos Santos/USP
Dados do Monitoramento Nacional da Violência Contra a Mulher foram divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP)

O Brasil registrou 848 vítimas de feminicídio entre janeiro e julho de 2026, uma queda de 3,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo dados do Monitoramento Nacional da Violência Contra a Mulher, a tendência de queda se mantém.

Em 2025, o pior ano da série histórica iniciada em 2019, foram registrados 876 casos no mesmo período. Desde março deste ano, a média mensal apresenta queda. Apesar disso, a tendência não é absoluta em todo país.

No Sul e no Centro-Oeste, os registros aumentaram 14,9% e 7,3%, respectivamente. Na análise por estado, 14 tiveram redução, 2 se mantiveram estáveis e 11 registraram aumento.

A queda neste ano de 2026 coloca os números em um patamar próximo a 2023 e 2024. Ao longo da série histórica, apenas três anos tiveram menos de 800 casos nestes sete primeiros meses.

Os dados são do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), consolidados pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).  

Eles integram o monitoramento das ações desenvolvidas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e pelo Ministério das Mulheres para combater a violência contra a mulher.

Para o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, a redução é um resultado importante. Contudo, ele destaca que ainda há muito a ser feito pelo poder público. Chico afirma que, segundo os dados, 28 mulheres deixaram de entrar na estatística em relação ao mesmo período de 2025.

São 28 mulheres que deixaram de entrar nessa estatística em comparação com o mesmo período do ano passado. É um resultado importante, mas ainda muito distante do que queremos. Não existe número aceitável de feminicídios
Chico Lucas, secretário nacional de Segurança Pública


Ele completa que é preciso seguir ampliando ações de prevenção e responsabilização dos agressores em todos níveis, de forma integrada: União, estados e municípios.

Confira os principais dados do Monitoramento Nacional da Violência Contra a Mulher abaixo:

Feminicídio cai em três das cinco regiões

Dentro do período analisado, três das cinco regiões brasileiras apresentaram redução em comparação com 2025. A principal queda foi no Nordeste, que saiu de 257 para 220 vítimas, uma redução de 14,4%.

No Sudeste, os registros passaram de 317 para 302, queda de 4,7%. Já no Norte, houve redução de 85 para 84 vítimas, equivalente a 1,2%.

Na contramão dos resultados, o Sul teve uma alta de 14,9%, passando de 121 para 139 vítimas. No Centro-Oeste, o aumento foi de 7,3%, de 96 para 103 casos.

Tendência de redução de vítimas não é absoluta no país
Foto: Foto: Reprodução/Monitoramento Nacional da Violência Contra a Mulher
Tendência de redução de vítimas não é absoluta no país


Rondônia lidera queda; Goiás tem maior alta

O melhor resultado em média porcentual foi de Rondônia (RO), onde o número de casos caiu de 17 para 6 (-64,7%).  Já o pior, em Goiás (GO), aumentou de 30 para 49 (+63,3%) em comparação com 2025.

O Rio Grande do Sul (RS) e o Espírito Santo (ES) mantiveram o mesmo valor do ano anterior, com 46 e 18 casos respectivamente.

Em valores absolutos, os estados com maior número de vítimas são, do maior pro menor: São Paulo (151), Minas Gerais (79), Bahia (63) e Rio de Janeiro (53).

Veja na tabela abaixo as médias de cada estado:



Mais de um terço das vítimas tinha registro contra agressor

Com base em 554 vítimas que tiveram todo histórico mapeado, os dados apontam para uma forte correlação entre casos de violência anteriores e feminicídios que ocorreram de fato.

35,4% das vítimas já possuíam algum registro policial contra o agressor. Do primeiro Boletim de Ocorrência (B.O) até o feminicídio há um intervalo médio de 28,3 meses.

A evolução da gravidade das agressões é rápida. 14% das vítimas foram mortas em até 1 ano depois do primeiro registro. Outras 21% em até 2 anos.

As infrações registradas são:

  • Ameaça: 198 registros
  • Lesão corporal dolosa (violência doméstica): 189 registros
  • Injúria: 53 registros
  • Dano: 27 registros
  • Vias de fato: 24 registros

Operação Mulher Segura soma 34,4 mil prisões

Ainda segundo os dados divulgados, uma das mobilizações é a Operação Mulher Segura, que tem coordenação nacional pela Senasp. Duas fases foram realizadas neste ano e somaram 34.400 prisões.

A operação reúne ações de prevenção, acompanhamento de mulheres com medidas protetivas, atendimento às vítimas, visitas preventivas, cumprimento de mandados e prisões em flagrante.

A maioria das detenções são realizadas em flagrante e uma menor parte, por mandados. 95 mil foram acompanhadas por Medidas Protetivas de Urgência (MPUs) dentre 150 mil atendimentos.

Ao menos R$9,3 milhões foram investidos para mobilização diária de atuação das equipes. A segunda fase da operação segue em andamento.

Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio foi assinado em fevereiro

O Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio é um acordo interinstitucional assinado pelos Três Poderes da República em fevereiro de 2026. Ele busca coordenar ações de prevenção, proteção e responsabilização.

A medida reconhece a necessidade da atuação conjunta de diferentes instituições e de políticas públicas para enfrentar a violência contra as mulheres.