
O Tribunal de Justiça condenou a mulher de 37 anos que se passava por uma adolescente de 12. O caso ganhou grande repercussão e foi registrado em Joinville, no Norte do estado de Santa Catarina.
A mulher, identificada como Amanda Maria Souza de Oliveira, foi condenada à pena total de um ano, 10 meses e 28 dias, em regime semiaberto. A sentença também manteve a prisão preventiva dela.
Amanda vai responder pelos crimes de estelionato e falsa identidade. Além disso, a Justiça também negou o direito da mulher de recorrer em liberdade.
Para o Juízo da 1ª Vara Criminal, a mulher agiu de forma consciente para induzir e manter as vítimas em erro.
Pelo entendimento, ela criou uma identidade fictícia e foi tratada como filha de um casal, em que recebeu moradia, alimentação, medicamentos e outros cuidados durante cerca de 14 meses.
Segundo a sentença, inicialmente, Amanda teria se apresentado como adulta e, posteriormente, passou a afirmar que era adolescente.
Com a identidade falsa, ela se aproximou da família, relatou situações de vulnerabilidade, histórico de abusos, problemas de saúde e abandono familiar. Com isso, Amanda conseguiu aplicar um golpe e passou a viver com a família.
A Justiça também considerou a repercussão social do caso e os impactos emocionais decorrentes da situação.
Antes da decisão, os advogados de Amanda, Sarita Henrique de Paiva e Lúcio Sousa, pediram a absolvição da acusada durante a audiência e tentam também derrubar a prisão preventiva.
Após a sentença, em nota, a defesa afirmou que discorda da decisão e que adotará todas as medidas legais e recursos cabíveis junto às instâncias superiores, visando provar a inocência de Amanda. Veja:
Família acreditou na história por 14 meses
Amanda teria chegado à família depois de procurar ajuda em uma comunidade religiosa. Ela dizia ter fugido do Pará após sofrer abusos e maus-tratos e afirmava não possuir documentos.
A família passou a tratá-la como filha. Durante o período, chegou a organizar uma festa para comemorar os supostos 12 anos de “Gabriele”, preparou um quarto com decoração infantil e custeou as despesas dela.
Para sustentar a história, a acusação diz que Amanda falava de forma infantilizada, usava objetos associados a crianças e simulava crises emocionais. Ela também alegava ter autismo e dizia que características de sua aparência adulta seriam resultado do uso forçado de hormônios durante a infância.
O caso começou a ruir quando parentes da família pesquisaram o passado da mulher e encontraram relatos semelhantes em outros estados. A Polícia Civil foi acionada e Amanda acabou presa.
A Justiça manteve Amanda presa e determinou uma avaliação de sanidade mental. Dias depois, um novo exame foi determinado para avaliar se ela tinha capacidade de compreender os próprios atos.
