
Amanda Maria Souza de Oliveira, a mulher de 38 anos que fingiu ter 12 anos para ser adotada por uma família em Joinville (SC) , passará por uma audiência de instrução e julgamento do processo criminal, na próxima quarta-feira (19), segundo informou seu advogado.
A sessão ocorre presencialmente na cidade em que o caso aconteceu e contará com depoimentos da acusação, da defesa e da própria ré .
A mulher responde pelos crimes de estelionato e falsa identidade e, em nota publicada nas redes sociais dos advogados, sua defesa afirmou que "demonstrará, com base no conjunto probatório dos autos, a inocência de Amanda, evidenciando as fragilidades da acusação e os elementos que sustentam sua versão dos fatos".
Depois da audiência, inicia-se a fase das alegações finais. Nesse momento, tanto a acusação quanto a defesa apresentam suas últimas considerações sobre as provas reunidas e formulam seus pedidos ao magistrado.
Concluída essa etapa, o processo segue para a decisão judicial. A sentença, entretanto, não costuma ser proferida imediatamente.
Relembre o caso
Amanda Maria Souza de Oliveira tinha 37 anos quando conseguiu enganar uma família de Joinville, em Santa Catarina, fingindo ser uma adolescente de 12 anos para ser adotada. Durante 14 meses, ela foi tratada como filha, recebeu cuidados diários e ganhou festa de aniversário ; de acordo com a Polícia Civil, para manter a farsa, ela chegou a usar chupeta, mamadeira e até um “cheirinho” para dormir.
Ela se apresentava como “Gabriele” e dizia ter fugido do Pará por sofrer maus-tratos. A versão emocionou membros de uma igreja, que passaram a ajudá-la financeiramente e providenciaram moradia. Com o tempo, uma família se aproximou da mulher e acabou acolhendo Amanda.
Para sustentar a farsa, ela elaborou uma narrativa detalhada: afirmava ser autista e dizia ter problemas de saúde que influenciam em sua aparência mais madura, como resultado do uso forçado de hormônios na infância. Além disso, reforçava o disfarce com voz infantilizada, crises de pânico noturnas e demonstrações constantes de carência.
O crime foi descoberto pela Polícia Civil no dia 2 de junho, quando Amanda foi presa em flagrante na casa da família em Pirabeiraba (SC). Depois de ser presa, a mulher de 37 anos, admitiu que já havia aplicado golpes semelhantes em outros estados, como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.
Após a prisão, a polícia apresentou inquérito ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que denunciou Amanda por estelionato e falsa identidade. O caso virou um processo criminal depois do Poder Judiciário aceitar a denúncia do Ministério Público.