Sonda resiste ao calor de Vênus e envia fotos da Estrela da Manhã

Módulo soviético Venera 13 pousou projetado para durar 32 minutos, mas operou por 127 sob temperaturas extremas e pressão 89 vezes maior que a Terra

Planeta Vênus
Foto: Reprodução Wikimedia Commons/NASA/JPL
Planeta Vênus

Os engenheiros soviéticos deram 32 minutos de vida útil à Venera 13, sonda espacial enviada para explorar Vênus  no início dos anos 1980. O módulo pousou na 'Estrela da Manhã' em 1º de março de 1982 e transmitiu dados por 127 minutos, quase o quádruplo do previsto, enquanto a temperatura do planeta marcava 465°C, calor capaz de derreter chumbo.

Sonda soviética Vega 1 foi sucessora da Venera 13
Foto: Reprodução Wikimedia Commons/Daderot - Public Domain
Sonda soviética Vega 1 foi sucessora da Venera 13


Além disso, a  pressão equivalia a 89 vezes a da Terra, tornando improvável que qualquer equipamento eletrônico funcione nessas condições por um longo período de tempo. Para suportar as condições  extraterrestres,  diversos instrumentos e sistemas foram acomodados dentro de uma estrutura pressurizada de titânio, revestida por camadas de isolamento térmico.

Isso mostra que a panela de cozimento em Vênus está funcionando de maneira semelhante à da Terra.
Valery Barsukov, diretor científico e líder das análises geoquímicas da missão Venera 13 (ao The New York Times)





Foto: Reprodução Wikimedia Commons/Kevin Gill from Los Angeles, CA, United States
Planeta Vênus


Posteriormente, a sonda ainda passou por um pré-resfriamento completo antes de se desacoplar da nave  transportadora. Na atmosfera densa do planeta, no entanto, não havia como dissipar o calor externo, fazendo a durabilidade da carga instaurar uma espécie de "corrida contra o relógio". Após a decolagem do foguete, a cápsula se separou do propulsor e entrou na atmosfera de Vênus.

Foto: Reprodução Wikimedia Commons/NASA/JPL
Projeção 3D da superfície de Vênus


Um escudo térmico absorveu o atrito inicial, enquanto paraquedas freavam a queda e permitiam coletas nas camadas de nuvens.  Ao mesmo tempo, a nave principal seguia em sobrevoo a 36 mil quilômetros de altitude, retransmitindo os sinais para as estações terrestres.

Foto: Reprodução Wikimedia Commons/Venera 13, The Soviet Space Program - Public Domain
Sonda Venera 13 captou as primeiras fotos e os primeiros sons da superfície de Vênus


O Programa Espacial Soviético tentou registrar Vênus em cores antes, mas falhou na missão. A Venera 9 e a Venera 10 mandaram imagens em preto e branco nos anos 1970, mas nas sondas 11 e 12 as tampas das lentes não abriram. Na Venera 13, contudo, dois telefotômetros escanearam a superfície através de filtros e revelaram fragmentos rochosos e um céu marrom-alaranjado.

Foto: Reprodução Wikimedia Commons/Venera 13 - Soviet Space Program
Fotos captadas pela sonda espacial Venera 13 na superfície de Vênus


Enquanto fotografava, a sonda também perfurou o terreno. Uma broca recolheu o material da rocha superficial e o depositou numa câmara selada, onde a espectrometria de fluorescência de raios X apontou uma composição muito parecida com a do basalto alcalino encontrado na Terra.

As amostras da superfície de Vênus parecem muito semelhantes em sua composição química ao basalto, a rocha vulcânica comumente encontrada na Terra. É como se elas [as sondas] tivessem pousado no fundo do oceano perto do Havaí e no topo de uma montanha havaiana.
Valery Barsukov, diretor científico e líder das análises geoquímicas da missão Venera 13 (ao The New York Times)






Foto: Reprodução Wikimedia Commons/Fawaz.tairou
Vênus é chamada de 'Estrela da Manhã' ou 'Estrela Dalva' devido ao brilho intenso logo antes do amanhecer


Alguns anos depois, as sondas Venera 14 e Vega 2 completaram o levantamento em pontos diferentes do planeta. Vênus, apelidado de 'Estrela da Manhã' por aparecer no céu antes do amanhecer, segue sem receber uma sonda que dure mais que algumas horas na superfície devido às condições extremas.

Aqui nós temos um planeta como a Terra, cujo motor de calor ainda continua funcionando fortemente.
Valery Barsukov, diretor científico e líder das análises geoquímicas da missão Venera 13 (à revista TIME)