
A assessora da Casa Branca Natalie Harp, de 35 anos, se tornou uma das figuras mais próximas do presidente dos Estados Unidos , Donald Trump . Atualmente, ela ocupa os cargos de assistente especial do presidente e assistente executiva, com salário anual de US$ 150 mil, o equivalente a aproximadamente R$ 776.925, segundo o relatório de pessoal da Casa Branca .
Harp ganhou notoriedade pela relação de proximidade com Trump, pela participação na produção de conteúdos publicados nas redes sociais do presidente e por cartas de tom pessoal que teria enviado a ele. As informações foram reunidas pela revista americana New York Magazine, em reportagem publicada nesta semana.
Conhecida nos bastidores como a “impressora humana”, Harp ganhou esse apelido por acompanhar Trump com uma impressora portátil e entregar a ele documentos, notícias e outros conteúdos que poderiam interessá-lo.
Como Natalie Harp conheceu Trump
Harp cresceu na Califórnia, formou-se na Point Loma Nazarene University, em 2012, e concluiu um MBA pela Liberty University, em 2015.
A aproximação com Trump começou em 2019, quando ela ganhou visibilidade ao relatar publicamente sua experiência durante um tratamento contra um câncer ósseo raro. Na época, Harp atribuiu sua recuperação à política conhecida como “Right to Try” (“Direito de Tentar”), uma lei sancionada por Trump em 2018 que ampliou possibilidades de acesso a determinados tratamentos experimentais.
Em junho daquele ano, ela publicou um texto defendendo Trump e posteriormente participou do programa Fox & Friends, da Fox News, para falar sobre sua experiência. Trump acompanhou a entrevista e elogiou publicamente Harp.
No ano seguinte, ela foi convidada para discursar na Convenção Nacional Republicana de 2020, consolidando sua aproximação com o então presidente.
Da televisão para a equipe de Trump
Entre 2020 e 2022, Harp trabalhou como apresentadora da One America News Network (OAN), emissora alinhada à direita americana. Durante o período, tornou-se uma defensora pública de Trump e apoiou suas alegações, sem provas, de que teria havido fraude nas eleições de 2020.
Ela deixou a emissora em 2022 e posteriormente passou a trabalhar diretamente com Trump. Durante a campanha presidencial de 2024, sua presença ao lado do republicano aumentou.
Segundo relatos citados pelo New York Magazine e pelo New York Times, Harp passou a funcionar como um canal direto de informações para Trump, entregando a ele conteúdos impressos e digitais. Parte desse material teria origem em sites e fontes da direita americana, inclusive veículos conhecidos por divulgar teorias conspiratórias.
Em janeiro de 2025, já no segundo mandato de Trump, Harp assumiu oficialmente o cargo de assistente executiva do presidente e assistente especial do presidente. Segundo relatório oficial da Casa Branca citado pelo New York Magazine, ela recebe salário anual de US$ 150 mil.
Por que ela é chamada de “impressora humana”
O apelido surgiu durante a campanha de 2024. Harp costumava acompanhar Trump com uma impressora portátil e uma bateria para que pudesse entregar rapidamente documentos ao candidato.
A função se tornou particularmente relevante porque Trump prefere receber algumas informações impressas. Harp selecionava notícias, comentários e outros conteúdos e os levava diretamente ao republicano.
Com o tempo, sua atuação também passou a envolver as redes sociais do presidente.
Segundo o Wall Street Journal, Harp leva a Trump rascunhos impressos de possíveis publicações para que ele aprove o conteúdo. Depois da aprovação, ela pode publicar as mensagens na conta do presidente. Trump, segundo os relatos, mantém a decisão final sobre o que é publicado.
Harp escreve as postagens de Trump?
A atuação dela parece estar mais próxima de uma colaboração do que de uma autorização para publicar qualquer conteúdo sem o conhecimento do presidente.
Harp teria ajudado a selecionar, preparar e publicar mensagens no Truth Social , plataforma utilizada frequentemente por Trump para fazer anúncios e comentar assuntos políticos.
Relatos publicados em 2026 apontaram que ela esteve envolvida na publicação de conteúdos que posteriormente foram apagados após repercussão negativa. Entre os exemplos citados estão uma postagem com conteúdo racista envolvendo Barack e Michelle Obama e uma imagem produzida por inteligência artificial que retratava Trump como uma figura semelhante a Jesus.
Segundo os relatos, não há indicação de que Harp publique mensagens contra a vontade do presidente. A prática descrita por fontes ouvidas pela imprensa é de que Trump aprova pessoalmente o conteúdo.
Cartas pessoais chamaram atenção
A relação de Harp com Trump também ganhou notoriedade por causa de cartas pessoais que ela teria enviado ao presidente.
Segundo o New York Times, Harp escreveu em 2023 mensagens de tom extremamente pessoal nas quais demonstrava forte admiração e gratidão pelo republicano.
Em uma delas, segundo o jornal, ela afirmou que Trump era “tudo o que importa” para ela e disse que não queria decepcioná-lo.
Em outra carta revelada em 2026, Harp teria pedido desculpas após aparecer correndo para acompanhar o carrinho de golfe de Trump durante uma viagem à Escócia. Ela teria escrito que não queria causar constrangimento e terminou a mensagem com uma declaração de afeto.
O conteúdo das cartas alimentou questionamentos sobre o grau de proximidade entre a assessora e o presidente.
No entanto, a dedicação de Harp à política presidencial teria começado antes mesmo da relação com Trump. Em entrevista à CNN, em agosto de 2026, Preston Harp, irmão de Natalie, afirmou que ela teria escrito cartas para outros presidentes, como George W. Bush, durante o período da Guerra do Iraque.
A declaração reforçou relatos de que o interesse de Harp por presidentes e pela política nacional antecede sua entrada no círculo de Trump.
O episódio do porta-malas
Um dos episódios mais inusitados envolvendo Harp ocorreu em outubro de 2023, antes de Trump retornar à Casa Branca.
Segundo informações reveladas pela CNN, Trump deveria comparecer a uma audiência em Nova York. Quando a comitiva se preparava para sair da Trump Tower, os assessores perceberam que não havia espaço para Harp no veículo.
De acordo com duas fontes ouvidas pela emissora, Harp teria insistido que Trump havia pedido pessoalmente que ela participasse do compromisso. Após uma discussão no saguão, ela não conseguiu um lugar na comitiva.
Mesmo assim, decidiu acompanhar Trump. Segundo as fontes e uma fotografia obtida pela CNN, Harp entrou no porta-malas de um SUV para seguir viagem.
O episódio, que só veio a público anos depois, passou a ser citado como um exemplo da dedicação incomum demonstrada pela assessora ao presidente.
A troca secreta de avião durante viagem à Turquia
A proximidade com Trump também ficou evidente durante uma viagem internacional em 2026.
Segundo relatos publicados pelo Washington Post e pelo New York Times, Harp esteve entre um pequeno grupo de assessores que acompanharam Trump em uma troca secreta de avião na Turquia , realizada diante de preocupações de segurança relacionadas ao conflito com o Irã.
Trump deixou discretamente o avião oficial e foi levado em um veículo de serviço aeroportuário até outra aeronave, que seria utilizada para continuar a viagem. Harp estava entre os assessores escolhidos para acompanhá-lo.
A operação chamou atenção porque outros integrantes da equipe permaneceram na aeronave original. O episódio reforçou a percepção de que Harp integra um grupo muito restrito de pessoas que têm acesso direto ao presidente em situações consideradas sensíveis.
O que Trump pensa de Natalie Harp

Trump demonstra publicamente apreço pela assessora desde 2019, quando elogiou sua participação na televisão e sua defesa da política de “Direito de Tentar”.
Nos bastidores, relatos apontam para uma confiança ainda maior. Segundo informações reunidas pelo New York Magazine, Trump teria dito a integrantes de sua equipe que Harp seria uma das poucas pessoas que demonstravam uma lealdade comparável à de sua família.
A relação também se tornou alvo de críticas políticas. O senador democrata Jon Ossoff mencionou Harp recentemente ao criticar a rotina de Trump e sua proximidade com a assessora. O comentário provocou uma reação dura da equipe de comunicação da Casa Branca e ampliou a atenção sobre a funcionária.
Relação com Trump incomoda outros assessores
A proximidade de Harp com Trump também provoca desconforto dentro da própria Casa Branca .
Segundo relatos publicados por diferentes veículos, alguns funcionários questionam a quantidade de informações que chegam ao presidente por meio dela e seu acesso às redes sociais.
Parte da equipe teria preocupação com o fato de Harp atuar fora de algumas das estruturas tradicionais de comunicação e filtragem de informações da Casa Branca .
Ao mesmo tempo, Trump demonstra confiar profundamente na assessora. Reportagens recentes descrevem Harp como uma presença constante ao lado do presidente, inclusive fora do horário convencional de trabalho.
A jornalista Maggie Haberman, do New York Times, chegou a comparar a função emocional de Harp para Trump a uma espécie de “objeto de conforto”. A expressão foi usada ao discutir a presença constante da assessora e a confiança que o presidente deposita nela.