Médica é denunciada pela morte de 6 crianças no Paraná

Profissional é acusada de homicídio culposo após negligência a protocolos de prevenção de infecções em seis casos enquanto dirigia UTI Pediátrica

Mortes aconteceram em 2024 na UTI do hospital de Campina Grande do Sul (PR)
Foto: Foto: Reprodução/Hospital Angelina Caron/Redes Sociais
Mortes aconteceram em 2024 na UTI do hospital de Campina Grande do Sul (PR)

Uma médica foi acusada de homicídio culposo pela morte de s eis pacientes, entre crianças e recém-nascidos, por causa de negligência e omissão com protocolos básicos de higienização e biossegurança na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTI) do Hospital Angelina Caron, onde era diretora.

De acordo com o Ministério Público do Paraná (MPPR), seis mortes aconteceram entre maio de julho de 2024, por causa de choque séptico (após infecção generalizada) e falência múltipla de órgãos.

Segundo a denúncia, que foi recebida pela Justiça do Paraná nesta segunda (17), as mortes têm relação com uma contaminação intra-hospitalar por bactérias multirresistentes no setor do hospital de Campina Grande do Sul (PR).



Isso porque, ainda conforme o MP, a médica reutilizou luvas e outros itens de pacientes e procedimentos diferentes, deixando e lado o mínimo dos protocolos de higiene, o que permitiu que o ambiente fosse contaminado .

(...) Através de práticas inaceitáveis como a reutilização de luvas de procedimentos entre pacientes distintos, falta de banho, manuseio inadequado de entubações e acessos venosos e também de fraldas das crianças
Promotor de Justiça do MPPR, Élder Teodorovicz



A identidade da profissional não foi divulgada e o processo corre sob sigilo. A médica passou a ser investigada por omissão e negligência até ser denunciada pelos homicídios culposos. Além da responsabilidade criminal, o MP pediu reparação financeira de R$ 50 mil para cada família atingida.

O Hospital Angelina Caron informou que não foi citado no processo e que, assim que necessário, prestará todos esclarecimentos e documentos possíveis para a Justiça. 

A instituição também destacou que mantém compromisso com a segurança de pacientes e com normas técnicas, sanitárias e assistenciais.

Leia a nota na íntegra:

"A Assessoria de Imprensa do Hospital Angelina Caron (HAC) esclarece que, até o presente momento, a instituição não recebeu citação oficial referente ao processo mencionado em reportagem veiculada recentemente.

O processo tramita sob sigilo judicial e, portanto, a instituição não teve acesso ao inteiro teor dos autos nem dispõe, até o momento, de todas as informações relacionadas ao caso. Dessa forma, não é possível ao hospital se manifestar sobre o mérito da ação.

O HAC informa que, tão logo seja oficialmente citado, prestará ao Poder Judiciário, dentro dos prazos legais, todos os esclarecimentos pertinentes e fornecerá as informações e documentos necessários para o completo esclarecimento dos fatos.

A instituição reafirma seu compromisso com a segurança dos pacientes, com o cumprimento das normas técnicas, sanitárias e assistenciais vigentes e com a transparência e a colaboração com as autoridades competentes".