
A Índia procura uma equipe de resgate em grande altitude para retirar do Monte Everest o corpo conhecido como "Botas Verdes", congelado há 30 anos . A Polícia de Fronteira Indo-Tibetana, que banca a operação, quer os restos mortais de volta até o mês de setembro. As informações são da BBC News Hindi.

O corpo está encolhido sob uma rocha saliente, na face norte da montanha, a 8.000 metros do nível do mar. As botas verde-limão do alpinista viraram uma referência de percurso no Everest para quem sobe pelo lado chinês. As autoridades acreditam que se trata de Dorje Morup, cabo da Polícia de Fronteira Indo-Tibetana, morto aos 48 anos.
Morup integrava uma expedição de seis alpinistas que tentou fazer a primeira subida indiana pela vertente chinesa, considerada mais íngreme e sem nenhuma estrutura de apoio. Uma tempestade de neve, no entanto, obrigou três montanhistas a abortarem a missão.
O "Botas Verdes", por sua vez, seguiu com Tsewang Smanla e Tsewang Paljor e chegou ao cume do Monte Everest às 17h30 do dia 10 de maio de 1996. A chegada ao pico foi confirmada em certificado emitido pelo governo chinês, guardado até hoje pela família do falecido.
Na descida, porém, uma grande nevasca matou os três alpinistas. Durante anos, acreditou-se que o "Botas Verdes" fosse Paljor. Apesar disso, a posição do último contato por rádio e o reconhecimento das roupas e do equipamento levaram a Polícia de Fronteira Indo-Tibetana a concluir que os restos pertencem a Morup. Ademais, será feito um teste de DNA quando o corpo chegar à Índia.
Retirar alguém do ponto mais alto do planeta Terra é caro e extremamente perigoso. Na chamada zona da morte, a temperatura cai a 40 graus negativos e o oxigênio equivale a um terço do disponível no nível do mar. Especialistas calculam que seriam necessários de dez a doze alpinistas capazes de atingir o cume apenas para fixar as cordas.
Além disso, congelados dentro do equipamento, os corpos pesam várias vezes o de um adulto. Missões desse tipo costumam ficar na casa dos 40 mil a 80 mil dólares, algo entre R$ 203 mil e R$ 406 mil.
Konchak Yangskit, viúva de Morup, tem 75 anos e contou à BBC que nunca conseguiu acreditar na morte do marido.
O filho mais velho, Punchok Dorjai, disse que o enterro será perto do Parque dos Mártires, em Leh, capital de Ladakh.