
Um incêndio atingiu, na tarde desta segunda-feira (10), o montículo central da área onde estão armazenados rejeitos do acidente com o Césio-137, dentro do Parque Estadual Telma Ortegal, em Abadia de Goiás . Imagens aéreas mostram a vegetação queimada ao redor da estrutura .
Apesar do avanço das chamas até o local, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) afirma que as estruturas de armazenamento e contenção do material radioativo não foram atingidas e que não há, até o momento, risco relacionado aos rejeitos.
De acordo com a Semad e o Corpo de Bombeiros Militar de Goiás, o incêndio começou em uma área externa ao parque e avançou sobre a vegetação da unidade mesmo após ultrapassar barreiras de proteção instaladas previamente no local.
A área contava com aceiros e trechos manejados por meio de queimas prescritas, medidas utilizadas para reduzir a quantidade de material combustível e dificultar a propagação de incêndios florestais.
A secretaria informou que o incêndio provocou danos à vegetação do parque e que a dimensão do impacto ambiental ainda será avaliada por equipes técnicas.
Depósitos do Césio-137 não foram atingidos
A presença dos rejeitos radioativos no Parque Estadual Telma Ortegal fez com que a ocorrência exigisse atenção adicional.
Em nota, a Semad afirmou que o fogo não atingiu as estruturas utilizadas para armazenamento e contenção dos rejeitos do Césio-137 . Segundo o órgão, até o momento não há relação entre o incêndio e essas instalações nem risco provocado pelas chamas ao material armazenado.

O depósito definitivo fica dentro do Parque Estadual Telma Ortegal e é mantido sob controle institucional do Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro-Oeste, unidade da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).
Parque foi criado para receber rejeitos
O Parque Estadual Telma Ortegal possui cerca de 166 hectares e está localizado em Abadia de Goiás, na Região Metropolitana de Goiânia. Segundo o Governo de Goiás, um dos principais objetivos de sua criação foi estabelecer uma área segura para o depósito definitivo dos rejeitos do Césio-137.
A unidade também abriga as instalações do Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro-Oeste, responsável pelo controle do depósito e pelo monitoramento radiológico ambiental das áreas relacionadas ao acidente.
Dentro do parque funciona o Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro-Oeste (CRCN-CO), ligado à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), responsável pelo acompanhamento e controle da área onde estão armazenados os materiais contaminados.
O que foi o acidente com o Césio-137
O acidente radiológico ocorreu em Goiânia em setembro de 1987 e começou após a retirada de um aparelho de radioterapia abandonado nas antigas instalações do Instituto Goiano de Radioterapia, no centro da capital. A cápsula presente no equipamento continha Césio-137, um material altamente radioativo.
Ao desmontarem o aparelho, os envolvidos romperam a cápsula e tiveram contato com cloreto de césio, material que apresentava um brilho azulado e acabou despertando a curiosidade de pessoas que desconheciam o risco da substância. Partes da fonte radioativa passaram por ferros-velhos e foram levadas para diferentes residências, espalhando a contaminação por diversos pontos de Goiânia.
O episódio atingiu direta e indiretamente centenas de pessoas e exigiu uma ampla operação de identificação de áreas contaminadas, atendimento às vítimas, demolição de imóveis e retirada de solo, objetos e outros materiais que tiveram contato com o Césio-137.