Cerveja de 162 anos achada em naufrágio pode ser bebível; entenda

Garrafa da cervejaria Guinness saiu com lacre intacto dos destroços do veleiro Mindoro, no Canal da Mancha; material passa por análise em laboratório

Stefan Panis encontrou garrafa da cerveja Guinness intacta em naufrágio no Canal da Mancha
Foto: Reprodução Instagram/stefpanis_photography
Stefan Panis encontrou garrafa da cerveja Guinness intacta em naufrágio no Canal da Mancha

Uma cerveja da Guinness Extra Stout engarrafada na década de 1860 foi encontrada  no compartimento de carga do Mindoro, veleiro  naufragado no Canal da Mancha, na Europa. O belga Stefan Panis, fotógrafo subaquático de 47 anos, recuperou a peça em 2025 ainda com o lacre intacto.

Cerveja Guinness de 162 anos encontrada em naufrágio no Canal da Mancha
Foto: Reprodução Instagram/stefpanis_photography
Cerveja Guinness de 162 anos encontrada em naufrágio no Canal da Mancha


O Mindoro era uma barca a vela e deixou Londres em 20 de novembro de 1864 com destino a Vancouver, mas afundou  sete dias depois, a três milhas náuticas da Inglaterra. Um sino recolhido entre os destroços confirmou a identidade do navio.

Foto: Reprodução Wikimedia Commons/Aneil Lutchman - Flickr
Cerveja Guinness


No dia do achado, Stefan Panis mergulhava com o britânico Eddie Huzzie. Os fotógrafos encontraram dezenas de garrafas espalhadas ao redor do  casco, quase todas com a rolha comprometida. No entanto, um recipiente destoava, revelando o selo legível ao ser lavado.

Existe a possibilidade de que ainda possa ser bebida. A questão é se a água do mar entrou nas garrafas através das rolhas. Se não tiver entrado, é muito provável que a cerveja ainda esteja própria para consumo.
Stefan Panis, responsável pela descoberta da garrafa de cerveja





Foto: Reprodução Instagram/stefpanis_photography
Cerveja Guinness de 162 anos encontrada em naufrágio no Canal da Mancha


O trecho onde o Mindoro naufragou é frio, escuro e de temperatura estável durante todo o ano. A luz solar e o calor, que aceleram as reações degradantes do sabor da  cerveja, não chegam nas profundezas.

Pesa também a posição do engradado, que parou virado, com os gargalos apontados para o fundo. O historiador cervejeiro Edward Bourke explicou à BBC que, nessa posição, o ar preso forma uma bolha pressurizada contra o líquido externo e dificulta a infiltração pela rolha.

Foto: Reprodução Unsplash/Ben Black
Cerveja Guinness


As amostras seguiram para o laboratório de leveduras e fermentação da KU Leuven, na Bélgica, que vai verificar se o líquido ainda é próprio para consumo. A universidade também vai apurar a composição química para recuperar o que restou da fórmula original.

Foto: Reprodução Instagram/stefpanis_photography
Stefan Panis foi um dos mergulhadores responsáveis pelo achado


Pelo tamanho do engradado, a equipe estima 24 unidades e suspeita de outras caixas soterradas na região do naufrágio. Panis e Huzzie planejam voltar para retirar mais quatro garrafas, duas para o laboratório e duas para a cervejaria. A Diageo, dona da Guinness, foi avisada antes da divulgação e acionou o Guinness Archive.

Descobertas como esta proporcionam uma visão fascinante do nosso passado e ajudam a aprofundar a compreensão do nosso património. Nossa equipe do Guinness Archive está em contato com os mergulhadores para coletar mais informações e avaliar o achado.
Porta-voz da Diageo, empresa que produz a Guinness






Foto: Reprodução Wikimedia Commons/Historian 1875 - Own work
Cerveja Guinness