
Uma cerveja da Guinness Extra Stout engarrafada na década de 1860 foi encontrada no compartimento de carga do Mindoro, veleiro naufragado no Canal da Mancha, na Europa. O belga Stefan Panis, fotógrafo subaquático de 47 anos, recuperou a peça em 2025 ainda com o lacre intacto.

O Mindoro era uma barca a vela e deixou Londres em 20 de novembro de 1864 com destino a Vancouver, mas afundou sete dias depois, a três milhas náuticas da Inglaterra. Um sino recolhido entre os destroços confirmou a identidade do navio.
No dia do achado, Stefan Panis mergulhava com o britânico Eddie Huzzie. Os fotógrafos encontraram dezenas de garrafas espalhadas ao redor do casco, quase todas com a rolha comprometida. No entanto, um recipiente destoava, revelando o selo legível ao ser lavado.
O trecho onde o Mindoro naufragou é frio, escuro e de temperatura estável durante todo o ano. A luz solar e o calor, que aceleram as reações degradantes do sabor da cerveja, não chegam nas profundezas.
Pesa também a posição do engradado, que parou virado, com os gargalos apontados para o fundo. O historiador cervejeiro Edward Bourke explicou à BBC que, nessa posição, o ar preso forma uma bolha pressurizada contra o líquido externo e dificulta a infiltração pela rolha.
As amostras seguiram para o laboratório de leveduras e fermentação da KU Leuven, na Bélgica, que vai verificar se o líquido ainda é próprio para consumo. A universidade também vai apurar a composição química para recuperar o que restou da fórmula original.
Pelo tamanho do engradado, a equipe estima 24 unidades e suspeita de outras caixas soterradas na região do naufrágio. Panis e Huzzie planejam voltar para retirar mais quatro garrafas, duas para o laboratório e duas para a cervejaria. A Diageo, dona da Guinness, foi avisada antes da divulgação e acionou o Guinness Archive.