
A Polícia Civil encontrou a cabeça e as mãos de Esther Estinor, haitiana de 39 anos que foi morta e teve o corpo esquartejado em Votorantim, no interior de São Paulo. As partes foram localizadas na sexta-feira (07), em uma área de mata de difícil acesso.
A descoberta ocorreu durante uma diligência realizada depois que o ex-companheiro da vítima, Charles Anglade, foi levado temporariamente do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos para Sorocaba (SP). Preso, ele indicou aos investigadores o local onde as partes do corpo haviam sido deixadas.
Após horas de buscas, equipes da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) conseguiram encontrar os restos mortais. A Perícia Criminal e o serviço responsável pela remoção do cadáver foram acionados.
Suspeito indicou local durante investigação
Segundo a Polícia Civil, Charles foi retirado temporariamente do CDP de Guarulhos para auxiliar nas diligências. A partir das informações fornecidas por ele, os policiais chegaram a uma região de mata considerada de difícil acesso.
Depois da localização, o investigado foi levado novamente para a unidade prisional de Guarulhos, onde permanece preso.
A localização da cabeça e das mãos representa um avanço importante para a investigação, que começou em março e já havia levado os policiais a encontrar outras partes do corpo da vítima.
Esther desapareceu no Dia Internacional da Mulher
Esther desapareceu em 08 de março, no Jardim Tatiana, em Votorantim. Segundo o registro feito pela família, ela saiu de casa sem informar para onde iria e deixou de manter contato com os parentes.

As buscas começaram depois que a família percebeu o desaparecimento. Durante as diligências, a Polícia Civil encontrou vestígios de sangue na residência e passou a tratar o caso como homicídio.
Partes do corpo foram encontradas em uma área de mata nos fundos da casa onde Esther morava. Na época, a cabeça e os braços ainda não haviam sido localizados.
Esther vivia no Brasil havia cerca de cinco anos e trabalhava em um restaurante da região. Ela deixou três filhos, que passaram a ficar sob os cuidados da irmã da vítima, também moradora de Votorantim.
O corpo localizado inicialmente foi sepultado no Cemitério Municipal de Votorantim em 18 de março.
Ex-companheiro fugiu para o Suriname
Charles Anglade, também haitiano, passou a ser apontado pela Polícia Civil como principal suspeito do crime. A investigação indica que ele não teria aceitado o fim do relacionamento.
Após o assassinato, Charles fugiu do Brasil e chegou ao Suriname, segundo a polícia. No país vizinho, teria conseguido um emprego para juntar dinheiro e tentar retornar ao Haiti, país onde nasceu.
Diante da possibilidade de fuga para o exterior, o nome dele foi incluído na lista de procurados da Interpol. A prisão ocorreu posteriormente com apoio de policiais estrangeiros, e ele foi extraditado para o Brasil.
Investigação apura feminicídio
A Polícia Civil trata o caso como feminicídio . Segundo informações divulgadas durante a investigação, testemunhas relataram que o relacionamento entre Esther e Charles era marcado por conflitos, além de episódios de ameaças e agressões.
Com a localização das partes que ainda estavam desaparecidas, a polícia deve continuar os trabalhos para esclarecer todas as circunstâncias da morte e reunir os elementos necessários para a conclusão do inquérito.
Charles permanece preso e é investigado pela morte da ex-companheira.