
O apartamento onde ocorreu o assassinato do empresário Marcos Kitano Matsunaga, em maio de 2012, está à venda por R$ 2,8 milhões. Localizada na Vila Leopoldina, na zona oeste de São Paulo, a cobertura triplex chama atenção não apenas pela estrutura de alto padrão, mas também por ter sido palco de um dos crimes de maior repercussão do país.
O caso voltou a ser comentado com a estreia do filme "Elize: Sombras de Uma Mulher", lançado pela Netflix na última semana. O longa retrata o relacionamento entre Elize e Marcos Matsunaga e o como aconteceu assassinato do empresário. Com a repercussão da produção, o imóvel onde tudo aconteceu voltou a despertar curiosidade.
Venda enfrenta dificuldades
Segundo o jornalista Ullisses Campbell, que divulgou fotos e vídeos do local, para o Globo, os pais de Marcos Matsunaga, atuais proprietários, tentam vender a cobertura há anos. Porém, as negociações costumam não avançar quando os interessados descobrem que foi ali que o fatídico crime aconteceu.
O apartamento é formado pela junção de duas unidades residenciais. Na época em que Marcos e Elize moravam no local, os imóveis somavam cerca de 370 metros quadrados e eram ligados por corredores estreitos, formando uma espécie de labirinto entre salas, escritório, suítes, varandas e áreas de convivência.

No terraço ficam a churrasqueira e a piscina, enquanto um dos quartos foi transformado em uma adega climatizada para armazenar a coleção de vinhos do empresário.

Outro detalhe que chama atenção é que, na época do crime, o imóvel possuía um quarto do pânico escondido atrás de um armário. O espaço contava com portas blindadas, sistema de climatização independente e linha telefônica exclusiva para situações de emergência.
Além disso, um dos cômodos era ocupado por Gigi, a jiboia criada pelo casal como animal de estimação. O réptil vivia em um recinto com banheira de fibra e tampa de vidro, mas costumava circular pela residência para tomar sol e até se aproximar da piscina.
Disputa pelo imóvel
Quando comprou as duas coberturas, em 2008, Marcos Matsunaga registrou uma delas em nome de Elize como doação. Após a condenação pelo assassinato do marido, ela perdeu o direito.
Mesmo assim, a disputa judicial se prolongou por anos. Elize chegou a tentar reaver a cobertura na Justiça, mas, após o fim do processo, os dois imóveis passaram a ficar integralmente em nome dos pais de Marcos, que decidiram colocar à venda.
Apesar de perder o apartamento, Elize recebeu R$ 900 mil referentes à sua parte na adega de vinhos do casal, inicialmente avaliado em R$ 3 milhões, foi reavaliado em R$ 1,8 milhão durante o inventário. Segundo o acordo entre as famílias, o valor foi utilizado para custear sua defesa criminal e ações na esfera cível, incluindo as tentativas de retomar o contato com a filha do casal.
Imóvel tem desconto
Embora esteja anunciado por R$ 2,8 milhões, o apartamento está cerca de 30% abaixo do valor de mercado, segundo a imobiliária responsável pela venda.
Enquanto unidades semelhantes no edifício são avaliadas, em média, em R$ 3,247 milhões, cerca de R$ 12,1 mil por metro quadrado, o imóvel está sendo oferecido por aproximadamente R$ 8,2 mil o metro quadrado.
Representantes da família Matsunaga afirmaram que a cobertura já foi vendida. Apesar disso, os anúncios seguem em três imobiliárias e ainda permitem o agendamento de visitas.
Entenda o crime
Na noite de 19 de maio de 2012 na sala do apartamento onde tudo começou. Após descobrir uma traição do empresário, Elize Matsunaga discutiu com o marido. Segundo seu relato, depois que Marcos retornou ao imóvel com uma pizza, a discussão recomeçou. Ela mostrou fotografias que comprovavam o fato e afirmou que passou a ser insultada.
Em seguida, Elize pegou uma pistola e atirou na cabeça do marido. Horas depois, por volta das 23h, arrastou o corpo até um quarto de hóspedes.

Na manhã seguinte, cerca de dez horas após o homicídio, ela deixou a filha de nove meses aos cuidados da babá e voltou ao quarto. Ali, passou aproximadamente seis horas desmembrando o corpo com uma faca de cozinha. Os restos mortais foram colocados em três malas e levados até uma área de mata em Cotia, na Grande São Paulo, onde foram encontrados dias depois pela polícia.
Durante as investigações, Elize acabou confessando o crime e participou da reconstituição realizada no próprio apartamento, indicando aos peritos o caminho percorrido após o disparo. A confissão ocorreu depois que a polícia reuniu provas que a ligavam à ocultação do cadáver, entre elas vestígios de terra encontrados na bota que ela usava, compatíveis com o local onde o corpo foi abandonado.
Em 2016, Elize foi condenada a 19 anos, 11 meses e um dia de prisão por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Posteriormente, a pena foi reduzida para 16 anos, 3 meses e 3 dias pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Atualmente, cumpre o restante da pena em regime aberto, mora em Franca e trabalha confeccionando roupas de pets.
Mais de uma década após o crime que chocou o país, a cobertura continua despertando curiosidade. Agora, com o lançamento do filme sobre o caso, o interesse pelo imóvel voltou a crescer. E você, teria coragem de morar em um apartamento marcado por uma história que ficou conhecida em todo o Brasil?
*Estagiária sob supervisão