Mariângela Hungria
Débora Mendonça / Acervo TV Cultura
Mariângela Hungria

Referência mundial na transição sustentável do agronegócio, a cientista brasileira  Mariângela Hungria integra a nova lista da revista Time como uma das 100 pessoas mais influentes do planeta. Engenheira-agrônoma, professora da UEL e pesquisadora da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) há mais de 40 anos, ela soma mais de 500 publicações científicas e o World Food Prize por suas pesquisas pioneiras em insumos biológicos, fundamentais para a eficiência e competitividade do agro nacional no mercado global.

Em entrevista no programa Roda Viva desta segunda-feira (20),  Mariângela Hungria destaca que o setor agrícola brasileiro ainda precisa evoluir e adotar práticas sustentáveis para evitar perdas na produção.

“Nós ainda desperdiçamos muito para produzir alimentos.” A engenheira diz que a produção alimentícia brasileira ainda pode melhorar na adoção de práticas mais sustentáveis.

Urgência de práticas sustentáveis

O Brasil precisa usar seus recursos de forma mais inteligente. Segundo Mariângela Hungria, a saída é adotar soluções sustentáveis e novas tecnologias no campo. Para a especialista, cuidar do meio ambiente deixou de ser apenas uma opção verde e virou algo essencial para garantir comida na mesa e manter o agronegócio brasileiro forte no mercado mundial.

Urgência climática

Mariângela Hungria chama a atenção para os efeitos cada vez mais evidentes da crise climática no campo brasileiro. Durante a entrevista, a pesquisadora destacou a urgência do engajamento global para frear as emissões de carbono, além da aplicação prática da ciência para proteger a produção agrícola do país.

Segundo a especialista, as lavouras que adotam a agricultura regenerativa, como o plantio direto, a rotação de culturas e a integração lavoura-pecuária demonstraram maior resistência a longos períodos de seca em comparação ao manejo tradicional.

Avanço da tecnologia

Esse avanço é sustentado por pesquisas lideradas pela Embrapa e instituições parceiras, como a Fundação MT, que apontam a bioanálise do solo e a edição gênica como ferramentas decisivas para criar culturas mais tolerantes ao estresse hídrico. Como explica a própria cientista:

O uso de bioinsumos permite o desenvolvimento de sistemas radiculares mais profundos e a formação de 'géis de proteção' nas raízes, evitando a perda de água das plantas. Mariângela Hungria, engenheira-agrônoma, professora da UEL e pesquisadora da Embrapa


Riscos no campo

Apesar dessas inovações tecnológicas, Hungria ressalta que o alerta permanece, citando os impactos do avanço da degradação climática e como a agricultura pode se tornar inviável em grandes extensões de terra, como já se projeta para áreas do nordeste brasileiro. 

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