Viatura da Polícia Militar do Ceará
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Viatura da Polícia Militar do Ceará

A Justiça do Ceará converteu em preventiva a prisão do policial militar Neilton Silva do Nascimento, suspeito de matar uma mulher e ferir outra a tiros dentro de um motel. O crime ocorreu na madrugada desta quinta-feira (16), no bairro Messejana, em Fortaleza.

O soldado havia sido preso em flagrante ainda no estabelecimento. Com a decisão tomada durante audiência de custódia, ele seguirá detido no Presídio Militar enquanto a Polícia Civil investiga o homicídio e a tentativa de homicídio.

A vítima que morreu foi identificada como Andreza Fernanda Félix Rocha, de 30 anos. A segunda mulher foi atingida no braço, levada ao Frotinha de Messejana e não corre risco de morte.

Segundo documentos da ocorrência obtidos pelo Diário do Nordeste, a discussão teria começado depois que o policial tentou fazer um Pix agendado para pagar um serviço sexual. Uma das mulheres recusou essa forma de pagamento.

O relato aponta que outra profissional também se recusou a continuar o encontro ao perceber que havia mais uma pessoa no quarto. Durante a discussão, o militar teria sacado a arma e disparado contra as duas mulheres que estavam próximas à porta.

Funcionários acionaram a polícia por volta das 2h, após ouvirem os tiros. As equipes encontraram o suspeito ainda nas dependências do motel, localizado na avenida Padre Pedro de Alencar.

Sete cápsulas foram encontradas no bolso da roupa usada pelo soldado, segundo os documentos do caso. Próximo ao local, os agentes também localizaram um carro com marcas de tiros e manchas de sangue.

A sobrevivente afirmou à polícia que Neilton apresentava sinais de embriaguez. Levado ao 30º Distrito Policial, o agente permaneceu em silêncio. A defesa alegou que ele enfrenta problemas psiquiátricos.

Policial já estava afastado das ruas

A Polícia Militar do Ceará (PMCE) informou que Neilton estava de folga no momento do crime e já havia sido retirado das atividades operacionais por responder a outro Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD). O motivo desse processo anterior não foi divulgado.

A Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) abriu uma nova apuração administrativa. A investigação corre paralelamente ao inquérito conduzido pela Polícia Civil.

Na decisão que determinou a prisão preventiva, a Justiça citou a gravidade da ocorrência e a desproporção entre o motivo atribuído à discussão e a reação do suspeito. Também mencionou que a distribuição dos ferimentos pode indicar uma tentativa de defesa ou fuga da vítima.

Veja a nota da Polícia Militar do Ceará, na íntegra:

"A Polícia Militar do Ceará (PMCE) informa que prendeu em flagrante, na madrugada desta quinta-feira (16), um policial militar que estava de folga, suspeito de homicídio em um estabelecimento comercial no bairro Messejana, em Fortaleza. As equipes da PMCE foram acionadas, por meio da Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops), para atender à ocorrência. No local, os policiais encontraram uma mulher em óbito e outra lesionada, que foi socorrida a uma unidade hospitalar e não corre risco de morte. O suspeito recebeu voz de prisão ainda no local. A ocorrência foi apresentada no 30º Distrito Policial, onde o suspeito foi autuado em flagrante pelos crimes de homicídio consumado e tentativa de homicídio. Após a adoção dos procedimentos legais, ele foi recolhido ao Presídio Militar. O policial militar encontrava-se afastado do serviço operacional em razão de Procedimento Administrativo Disciplinar. A Polícia Militar do Ceará ressalta que não compactua com qualquer conduta ilícita praticada por seus integrantes. Paralelamente à investigação conduzida pela Polícia Civil, a Corporação adotará todas as medidas administrativas cabíveis para a apuração dos fatos, observando o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa. Ainda, a Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) instaurou procedimento disciplinar para investigar a ocorrência no âmbito administrativo."

O iG entrou em contato com a Polícia Civil do Ceará, a Controladoria Geral de Disciplina e a defesa do policial e pediu notas atualizadas sobre o caso. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.

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