
Reconhecida como uma das maiores referências da literatura brasileira, Ana Maria Machado é escritora, jornalista e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), onde ocupa a cadeira nº 1. Autora de mais de uma centena de livros traduzidos para diversos idiomas, marcou gerações de leitores com obras como Bisa Bia, Bisa Bel.
Ao longo de sua carreira, recebeu importantes reconhecimentos nacionais e internacionais, entre eles o Hans Christian Andersen, considerado o mais prestigiado prêmio da literatura infantojuvenil mundial, consolidando-se como uma das vozes mais influentes da literatura brasileira contemporânea.
Em entrevista no programa Roda Viva desta segunda-feira (13), Ana Maria conversou sobre sua carreira, o papel da literatura na formação de leitores, o processo de criação artística, os desafios da educação no Brasil e os impactos da censura impulsionada pelas redes sociais.
Racismo em obras infantis
Em um dos momentos da entrevista, a escritora também comentou as polêmicas envolvendo as obras de Monteiro Lobato, especialmente as críticas relacionadas ao racismo e às ideias eugenistas presentes em parte de sua produção.
Ao responder se considera necessário estabelecer uma idade adequada para a leitura de determinadas obras por crianças, a autora defendeu que conteúdos agressivos devem ser apresentados com a mediação de adultos.
Uma criança não deve ser exposta a um conteúdo agressivo para ela. Agora, você pode impedir que ela tenha contato com Monteiro Lobato porque ele refletia atitudes horrorosas, não só preconceituosas, mas questões de eugenismo e tudo o que havia na época dele, na sociedade dele afirmou Ana Maria Machado
Ana Maria Machado afirmou que o tema exige debate e reflexão por parte de educadores e famílias. Para a escritora, a escola tem um papel importante nesse processo, promovendo o diálogo com os responsáveis e contextualizando a leitura em conjunto com outras obras literárias, de forma que crianças e jovens desenvolvam uma compreensão crítica dos textos.
Uma criança de seis anos não consegue ler Monteiro Lobato hoje em dia. Lia na minha geração, porque estávamos acostumados a ler. A solução está em ler mais, e não menos, quando se trata de um grande autor complementa a autora