
O ex-prefeito de Campo Grande Alcides Jesus Peralta Bernal morreu na madrugada desta segunda-feira (13), aos 60 anos, na Santa Casa. Ele estava internado após voltar a passar mal no Presídio Militar Estadual, onde cumpria prisão preventiva. Bernal completaria 61 anos nesta terça-feira (14).
A morte foi confirmada pela Polícia Militar (PM), responsável pela escolta, e pelo advogado Wilton Acosta. Até a publicação desta reportagem, não havia informações confirmadas sobre velório e sepultamento.
Dados de um laudo médico obtidos pelo Jornal Midiamax apontam que Bernal sofreu infarto agudo do miocárdio, choque cardiogênico e trombose nos stents instalados nas artérias coronárias. Os stents são pequenos tubos usados para manter as artérias abertas.
Internações e pedido de prisão domiciliar
Bernal havia sido levado à Santa Casa no início de julho, depois de sofrer um infarto no presídio. Durante a internação, passou por cateterismo e angioplastia, com a colocação de stents para desobstruir as artérias.
Após receber alta, retornou ao Presídio Militar. No fim de semana, voltou a passar mal e precisou ser encaminhado novamente ao hospital, onde ficou internado na UTI.
Na sexta-feira (10), a Justiça negou um pedido de prisão domiciliar apresentado pela defesa. Os advogados alegaram que Bernal precisava permanecer em repouso por pelo menos 30 dias e que a unidade prisional não tinha estrutura adequada para os cuidados após os procedimentos cardíacos.
Ele estava preso desde 24 de março. Bernal era réu pela morte do auditor fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, registrada durante uma disputa pela posse de um imóvel em Campo Grande.
A Justiça havia determinado que o ex-prefeito fosse julgado pelo Tribunal do Júri por homicídio qualificado, porte ilegal de arma e invasão de domicílio. A defesa sustentava que ele agiu em legítima defesa. O julgamento não chegou a ser realizado.
Com a morte do réu, caberá à Justiça declarar extinta a punibilidade. A morte do acusado está entre as causas previstas no artigo 107 do Código Penal.
Da rádio à Prefeitura de Campo Grande
Nascido em Corumbá, no estado de Mato Grosso do Sul, em 14 de julho de 1965, Bernal era advogado e radialista. Ganhou projeção com programas de rádio e televisão antes de entrar para a política.
Foi eleito vereador de Campo Grande por dois mandatos. Em 2010, chegou à Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul como deputado estadual pelo PP. O histórico consta nos registros da Assembleia.
Dois anos depois, venceu a eleição para prefeito de Campo Grande. Recebeu 270.927 votos no segundo turno, o equivalente a 62,55% dos votos válidos, e derrotou Edson Giroto (MDB).
Bernal teve o mandato cassado pela Câmara Municipal em março de 2014, por 23 votos a 6, após ser acusado de infrações político-administrativas. Tornou-se o primeiro prefeito cassado pela Câmara na história da capital.
Em agosto de 2015, uma decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul permitiu que ele retornasse ao cargo. Bernal concluiu o mandato em dezembro de 2016, mas não conseguiu a reeleição.