Flávio Bolsonaro pede que Trump adie tarifaço por 6 meses
Reprodução Truth Social/Donald Trump
Flávio Bolsonaro pede que Trump adie tarifaço por 6 meses

A beira de nova taxação dos Estados Unidos (EUA) contra o mercado brasileiro , o sistema de pagamento Pix figura como peça central de debate político e diplomático. O senador Flávio Bolsonaro (PL) encaminhou um documento volumoso nesta quarta-feira (1º), pedindo a redução do chamado "tarifaço" ao Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), órgão responsável pelas normas comerciais de Washington.

Em um dos argumentos e solicitações do governo de Donald Trump, Flávio Bolsonaro pede adiamento do tarifaço por 180 dias, o que estende o prazo para depois do período eleitoral no Brasil. Neste documento, o candidato a presidência sai em defesa do Pix.

Flávio argumenta que o Pix não tem concorrência direta e negativa com as operadoras de pagamentos de cartão de crédito - principalmente Visa e Mastercard. O senador faz ainda uma promessa do tipo "compromisso legislativo" com o governo americano em trabalhar junto ao Congresso Nacional para criar uma lei que proíba a integração desta modalidade de pagamentos instantânea a sistemas de pagamentos de países não ocidentais, potências como a Rússia e China, por exemplo.

Trump destacou na postagem que 'Foi muito bom ter Flávio Bolsonaro' no Salão Oval da Casa Branca e que ele é jovem inteligente que ama muito seu país
Reprodução Truth Social/Donald Trump
Trump destacou na postagem que 'Foi muito bom ter Flávio Bolsonaro' no Salão Oval da Casa Branca e que ele é jovem inteligente que ama muito seu país


O que disse Flávio Bolsonaro aos EUA

No documento, o senador pontua as diferenças funcionais do Pix e explica que os pagamentos são feitos à vista e não oferece benefícios adicionais de bandeiras de cartão de crédito tradicionais dos EUA e dissemidadas a nível nacional, como parcelamento a longo prazo, financiamento ao consumidor, proteção imbutida contra fraudes comerciais e estornos em compras.

O Pix é uma infraestrutura pública soberana de pagamentos, não uma empresa comercial concorrente; a teoria do conflito de interesses prova demais, já que o Federal Reserve dos EUA também atua como regulador e operador de um sistema de pagamento instantâneo (FedNow); os volumes de cartões dos EUA no Brasil continuaram a crescer junto com o Pix; e a formalização de dezenas de milhões de brasileiros expandiu o mercado consumidor para empresas dos EUA — em e-commerce, plataformas e fintechs — em um país onde os Estados Unidos lideram o investimento estrangeiro direto. Destaque do documento de constestação enviado a USTR


Flávio Bolsonaro disse ainda que a a medida do governo de Donald Trump é "exagerada". "Sanção ou tarifa é o remédio errado: não afeta a arquitetura do sistema de pagamento e prejudica o investimento dos EUA", pontuou.

No documento de 86 páginas, o senador se debruça em defesa do Pix e pede adiamento de 180 dias para aplicação da medida (pós eleições brasileiras), por parte do governo dos EUA, das novas tarifas contra exportações brasileiras.
Divulgação/USTR
No documento de 86 páginas, o senador se debruça em defesa do Pix e pede adiamento de 180 dias para aplicação da medida (pós eleições brasileiras), por parte do governo dos EUA, das novas tarifas contra exportações brasileiras.


Período eleitoral esteve em pauta no documento

O documento também relatou o atual cenário político brasileiro e trás a luz casos da Lava-Jato, mensalão e investigações em curso como sobre o rombo financeiro aos aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).


Ao solicitar o adiamento do tarifaço para 180 dias - depois das eleições - Flávio Bolsonaro se justificativa dizendo que a "penalidade" econômica imediata serviria como palanque ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), permitindo que ele use o discurso sobre ofensivas externas como temática eleitoral e que se "ancore" no argumento da defesa da soberania nacional.

Presidente Lula, em agenda no Catalão (GO)
Foto: Ricardo Stuckert / PR
Presidente Lula, em agenda no Catalão (GO)


Repercussão

A proposta ecoou fortemente nas redes sociais oficiais dos líderes políticos. Em postagem no X, o presidente Lula repeliu a investida de Flávio, classificando o Pix como "uma conquista do Brasil" da qual o país não abrirá mão.

É inaceitável que a família Bolsonaro, com suas políticas de traição, busque submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos, como fica claro no documento enviado hoje por um de seus membros ao governo dos EUA. Sempre nos engajaremos em diálogo em igualdade de condições com qualquer nação do mundo. Solicitar que o aumento tarifário contra nosso país seja adiado até depois das eleições é mais um ato de traição contra a Pátria. Nunca houve, nem há, qualquer justificativa para um aumento tarifário agora ou no futuro. A parte mais escandalosa é saber que a origem de tudo isso foi motivada pela própria família Bolsonaro, que defendeu publicamente o aumento das tarifas contra produtos brasileiros. Defender o fim do Mercosul, o bloco econômico mais importante da América Latina e que acaba de assinar um acordo histórico com a União Europeia, é mais um ataque aos interesses do povo brasileiro. Como se isso não bastasse, eles querem entregar Pix para interesses estrangeiros. Eles não vão conseguir. Pix é uma conquista do Brasil, e não vamos abrir mão dele. Nossa pátria não está à venda. Nossa soberania é inegociável. O Brasil pertence aos brasileiros. Posicionamento de Lula no X


O senador Flávio Bolsonaro rebateu as críticas do presidente também na redes social X, afirmando que Lula deseja a aplicação do tarifaço e critica os rumos da política econômica do governo vigente.

Lula é o ÚNICO que quer o aumento tarifário contra produtos brasileiros. Ele provocou, desabafou, não negociou e fez lobby a favor do PCC e do Comando Vermelho para que não fossem classificados como terroristas. Ele envergonhou o Brasil diante do mundo! Ele ignorou o sofrimento de mais de 50 milhões de brasileiros que vivem em áreas dominadas por esses narcoterroristas. Ele fez isso acreditando que poderia transformar a possível punição das empresas brasileiras em uma narrativa falsa de "defender a soberania". Lula não se importa nem um pouco com o Brasil. Ele fará qualquer coisa para tentar ser reeleito. Eu sou o oposto da Lula. Eu luto contra os narcoterroristas, trabalho de verdade contra as tarifas e sempre defenderei nosso Pix, criado durante a administração Bolsonaro. Pix é brasileiro, sem taxas, e ninguém mexe nele. Já fiz essa defesa pessoalmente ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao Secretário de Estado, Marco Rubio. Na próxima semana, vou voltar aos Estados Unidos para reforçar essa defesa. Meu pedido é simples: não imponha tarifas ao Brasil. Não puna os brasileiros pelos erros do lulopetismo. O Brasil pode realmente ser grandioso. O Brasil tem futuro, mas não tem tempo a perder. Posicionamento de Flávio Bolsonaro no X


Controvérsia: EUA vê ameaça em Pix

A polêmica teve início após o órgão americano  concluir em investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 que a forte aderência brasileira ao Pix no ambiente digital, cria uma espécie de "concorrência desleal" às companhias norte-americanas, o que resultou numa recomendação de tarifa adicional de 25% dos EUA sobre exportações de produtos estratégicos brasileiros.

Na ocasião, o governo federal contestou a  sanção econômica e se posicionou através do Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty), enviando manifestação formal em defesa do Pix e ressaltando que o governo americano não comprovou os reais prejuízos ao seu mercado interno. Audiências públicas estão agendadas pelo governo dos EUA sobre o assunto para as próximas segunda e terça - dias 6 e 7 de julho.

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